Bom.
Queria que tudo fosse mais fluido. Ou seja, que os trabalhos se iniciassem sem qualquer apresentação, afinal de contas, uma droga duma pedra não precisa se apresentar, certo?
Mas meu camarada Jesse me poupou esse trabalho. Apresentou-nos o que fosse, mesmo que a força do verbo "fosse" restaurasse qualquer tipo de desejo de possibilidade. De qualquer maneira, fica o que ele disse pelo que se pode vir a não dizer.
No que me toca, tenho a vontade quase intestinal de discutir sobre temas que não importem. Literatura por exemplo. Hoje em dia, tudo é muito importante, as modas, a conjuntura macro-econômica, as declarações da Luciana Gimenez. O que nos leva ao tema de hoje.
Não sei como estão as coisas na literatura contemporânea, nem faço questão de saber. Desde que descobri que Walt Whitman fazia a ode à alegria do homem comum, protegido pelos campos e maquinários, gritando, do lado de cá da América, pras rebordosas do Tejo, onde Álvaro de Campos respondia, pedindo mais uma garrafa de rum, não entendo como algo possa ser mais ameaçadoramente contemporâneo do que a boa literatura.
De qualquer maneira, a gente vive numa era de arquivistas. E alguns deles acham por bem também arquivar frases de efeito e achismos. Adoro esse tipo de gente. Me faz querer dar umas rodadinhas pelo ar, soprando uma língua-de-sogra e agitando umas bandeirinhas. Quando leio coisas como "o movimento da areia que escoa pelos dedos", e ouço o mesmo cara dizendo que ainda vamos muito ouvir falar do Seu Sanclé, fico com aquela vaga impressão de que até os profetas e arautos de nossos tempos são uns folhetins esquisitos.
O trabalho do crítico ou resenhista é apresentar o texto focado. Demonstrar seus pontos fortes, os polêmicos. Discutir com esse texto, mas não competir com ele. Deixe pros artistas brigarem entre si.
Não vou falar sobre seu Sanclé porque não falo de quem não conheço nem um pingo, quanto mais o ponto. E, além disso. Sou muito contemporâneo.
E, como diria o meu amigo Nino: "Vou-me embora pra Passárgada, lá tem prostitutas bonitas pra gente namorar."
E tenho dito.
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