18 de dez. de 2007

Pensando sobre a Vontade...

As perguntas deixadas por Soren revelam, em primeira instância, que, decorridos dois séculos, já nos é possível definir o Leviatã (Hobbes) com aspectos mais sombrios do que aquele esboço inicial feito ao nascimento das premissas capitalistas. Ao mesmo tempo, essas mesmas perguntas nos colocam na impossibilidade de alguma resposta, pois nós dois, em algum momento, sofremos dessa frustração de nossos tempos — seja no consumo exagerado de uma fórmula repetida, seja na insatisfação de não possuir a Fortuna alheia.

Arrisco-me a pensar, entretanto, em algumas das linhas anteriormente escritas...

Se para Nietzsche a Vontade era coligada à Ação, havria algum exemplo de vontade sem ação? Afirmo que sim e este exemplo nos é apresentado centenas de anos antes por Shakespeare. A vontade de saber, de descortinar todas as dúvidas que se colocam como obstáculo da ação primeira, revela-nos, em Hamlet, o príncipe da Dinamarca, como um homem (Hamlet) substancioso de vontades que se torna imóvel graças a frustração final da consciência de que a dúvida não será nunca sanada por completo.

No relato de Boreas, contudo, o que temos é a preocupação com algo contemporâneo, a saber: a ação feita sem Vontade. Por favor, insípido leitor, compreenda — Vontade é o ato reflexivo do Querer, comportando em si a operação mental que justifica a Ação por critérios morais, éticos ou sociais. Assim sendo, nossos dias revelam-se como um grande silêncio ou uma grande gritaria. Silêncio, pois quem deveria falar se cala devido a inutilidade própria do receptor. Gritaria, pois as pessoas, atualmente, preferem ouvir uma guria pastora ou nosso grande amigo Edir Macedo...

A ação sem Vontade, talvez, faça com que o século XXI torne-se o período mais entediante da história da humanidade, mas revela também um outro fator de caráter antropológico mais preocupante.

As pessoas com um mínimo de inteligência já notaram qua a expansão do acesso à informação trouxe um problema que deve ser enfrentado de imediato: existe uma profunda e epidêmica crise no entendimento de qualquer noção ou conceito que tenhamos adquirido nesses milênios de história da humanidade. Um exemplo é a deturpação da noção de responsabilidade — hoje, tudo o que fazemos tem de ser feito com responsabilidade: amar com responsabilidade, beber com responsabilidade, apontar um lápis com responsabilidade, gozar dos outros com responsabilidade, entre outros...

Agora me pergunto: em qualquer outra época, a noção de responsabilidade estava ligada às decisões de caráter moral que  uma pessoa possuía com seus subordinados, o que aconteceu para a "responsabilidade" se tornar algo mais fútil do que meias bailarina ou facas guinsu?

2 comentários:

Anônimo disse...

Vamos atualizar isso aqui...O blog anda às moscas...

Housyemberg Amorim disse...

As atualizações desse blog são como encontros românticos de verdade. Sempre que houver um brilho (que, neste caso estará mais para um brilho em luz negra) haverá um post novo.