16 de out. de 2008

Os elegíveis

Duas situações chamam nossa atenção nos últimos dias. A primeira é a eleição, com seus comerciais com uma buxuda que fez Caminhos do Coração. A segunda é a greve em uma das Universidades mais conhecidas do Rio de Janeiro, a UERJ. Como sou cria de pais políticos (sindicalistas e pastores da Assembléia de Deus) e figurinha fácil em todo o tipo de lugar em que haja uma baderna (como em Alagoas, recentemente), acredito que posso tecer alguns comentários sobre essa coisa deturpada e corruptamente imoral chamada de Democracia Brasileira.

Pode parecer coisa de adolescente, mas não existe Estado Democrático de Direito. Estado Democrático significa que o poder deve estar na mão do povo, certo? Correto, mas aí reside um problema. O povo tem de estudar com afinco algumas questões fundamentais. Por exemplo, em Salvador ACM Neto candidatou-se para a vaga deixada por seu avô depois de morto - coronel-mór da Bahia. Incrivelmente perdeu as eleições, mas isso não foi por conta de uma situação de justa revolta com as práticas de Toninho durante tantos anos de vida zumbi... Em realidade, ACM Neto não é tão querido quanto sau avô era na Bahia e há o motivo maior: o povo tem como tendência, por pior que seja o governo, manter o status quo.

No Rio de Janeiro, a disputa está feia. Eduardo Paes partiu para as agressões públicas ao invés de propor algo mais sólido para a cidade. Fernando Gabeira utiliza uma estratégia muito parecida com a de Lula na campanha presidencial de 2002. Elegante, ele desvia como pode das acusações e se explica por qualquer frase mal dita por sua boca. Dessa forma, Gabeira começa a ganhar a simpatia do público, vejam bem - público - e parece estar começando a desenhar sua vitória.

E o sr. Paes? Ele afirma estar com o Presidente e o Governador do Estado. Aliás, essa é uma prática dos candidatos que estão concorrendo no segundo turno das eleições. Agora, temos de perceber o seguinte: ele está junto de Lula, ou como pode-se ver na foto ao lado, tirada em dezembro de 2007, está junto das pessoas que transformaram o governo do PT numa bagunça por algum tempo? Não sei, dizem que as imagens falam mais do que mil palavras.

Fernando Gabeira ainda aproveita essa pequena vantagem para literalmente arriscar em sua candidatura. Parece que ninguém percebe, mas suas principais propostas relacionam-se a problemas que deveriam ser resolvidos pelo Estado, não pela gestão municipal. Não conheço a trajetória política de Fernando Gabeira, mas conheço sua trajetória literária. Como um homem de religião, preciso estar atualizado com os pensamentos de cada época para que a Palavra do Senhor possa encaminhar-se da maneira correta aos ouvidos de todos os homens. Posso afirmar, dito isto, que Fernando Gabeira aspira ser revolucionário. Um revolucionário tropical que passou sua idade adulta acompanhando a evolução da TV e da mentalidade do Leblon. Escreveu O que é isso, companheiro. Livro que somente possui importância histórica. Também brindou o público com Crepúsculo de um macho, romance que me nego a tecer algum comentário.

Eduardo Paes e Fernando Gabeira, no final das contas, são espermas do mesmo saco. Políticos de segunda geração que, ao tomar o poder irão fazer o que nossos políticos sempre fazem: manipular o poder para o seu próprio bem-estar.

Fiquem com a paz do Senhor!!!!

PS: E a UERJ continua com a sua greve sem impacto. Talvez, se o movimento de greve conseguir impedir o Vestibular 2009 (ao menos a 2ª fase), eles conseguirão ser ouvidos...

16 de ago. de 2008

Carta-aberta sobre o Debatman

Rio de Janeiro, 15 de agosto de 2008.

Caros articulistas,

Espero que os e-mails estejam corretos. Sem mais delongas, vamos direto ao texto...

Enviar uma carta pública é sempre uma tarefa difícil, pois faz com que seu autor tenha de ser o mais claro possível para que haja o entendimento por parte da maioria dos leitores. Esta carta está diretamente ligada ao "Debatman" publicado pelo Sr. Arnaldo Bloch em seu blog na Globo.com.

Antes de iniciarmos considerações acerca das análises feitas do filme Batman: The dark knight, começo com o sub-título utilizado pelo próprio Bloch: "polêmica completa". É, no batimaposter3 mínimo, engraçado ver a palavra polêmica como um signo para os tetos ora apresentados. Polêmica é o debate de posições contrárias que são defendidas com ardor, paixão, em que, na maioria dos casos, transborda em acusações de miopia intelectual por parte dos envolvidos. Por favor, Sr. Bloch, antes de o sr. utilizar a palavra polêmica para somente inflar o seu cérebro narcísico novamente, leia as polêmicas que permeiam nossa história cultural.

O texto do Sr. Jabor, o primeiro do “debate” (he!), trata de uma comparação entre o Coringa e Osama Bin Laden. Segundo a sua análise, o Coringa poderia ser, realmente, comparado até mesmo a sua mãe. Explico: a sua, penso eu, recente leitura, de Power Inferno e A transparência do mal, ambos de Jean Baudrillard, influenciou a sua visão acerca do personagem. É claro que o influente francês tem gabarito suficiente para influenciar nossas discussões. Afinal de contas, vários dos nossos intelectuais fast-food têm suas brilhantes idéias nos cérebros dos intelectuais franceses...

No primeiro parágrafo, o sr. mesmo confessa sua incapacidade para entender o filme. Daí, me pergunto: por que um leitor continuaria a ler o seu texto? Ah, já sei! É porque trata-se de um texto do Arnaldo Jabor, o brilhante cineasta de uma nota só e brilhante argumentador de esquerda (com o simples intuito de obtenção de prazer, comprometendo a crença moral de algumas adolescentes).

Já expliquei isso ao sr. em uma certa carta-berta sobre as suas considerações acerca de Sin City, mas, como sou pastor, não devo cansar-me por conta de seu dislate. Quando o sr. fizer afirmações que beiram uma análise, faça a análise!!!! Comparar “filmes-catástrofes” aos atentados de 11-09 é uma boa intuição, mas não provar o apontamento é sinal de uma imaturidade intelectual de tal porte que chega a causar pena aos seus leitores. Como a segunda característica de um pastor não é ter pena de seu rebanho, toma-lhe...

Sobre a atuação de Heath Ledger, parece que concordamos em algo. De fato, Ledger consegue captar algo que Jack Nicholson ignorou: o Coringa é o personagem que encarna a própria força da pulsão sem que haja o processo de culpabilidade tão próprio da ideologia ocidental. Porém, o sr. dá todos os méritos ao ator. Por quê? Por acaso, o sr. é partícipe da disparidade esquizofrênica com relação à cultura?

Uma pergunta para o sr.: Se, a partir da metade do seu texto, o sr. afirma que o Coringa é imune a interpretações, como pode querer que, na sua interpretação, o Coringa (criado nos anos de 1940) seja uma aproveitamento ficcional de Bin Laden? A sua ridícula interpretação é tão equivocada que não me parece oportuno debatê-la. Fica pra próxima...

Sobre o texto de Artur Xexéo:

O que dizer de um texto que possui o título “Não tenho nada a dizer”? É dessa forma que Xexéo inicia sua resposta às provocações do tão-brilhante-quanto-uma-camisa-lavada-por-Omo Arnaldo Jabor. Pelo menos, ele, de forma bem honesta, admite ser completamente ignorante quando o assunto é o universo, que teve seu ponto de partida com Bob Kane nos anos de 1940. Para aliviar seu próprio constrangimento, Xexéo retorna à já caduca distinção entre culturas para se afirmar enquanto intelectual. Aff!!!!

O sr. Xexéo, aliás, com muito boa vontade, tenta compreender a verborrágica (e vampírica) batpos2 reflexão do sr. Jabor, mas admite que há uma ligeira impossibilidade. Obviamente, Xexéo não leu os livros com os quais Jabor estabeleceu o seu pensamento, se é que o cineasta fracassado consegue algo de tamanho prumo.

Uma falha gritante do texto de Xaxéo é pensar que as histórias em quadrinhos sejam coisas de crianças... Não vou me alongar por esta vereda, pois os exemplos de seu equívoco são tantos que acredito piamente que, se os apontar, o sr. Xexéo vai necessitar de alguns anos de terapia para vencer o impacto. Xexéo, por favor, vá ao Google e digite graphic novel criação.

Pelo menos, existem 2 pontos positivos em seu texto: o sr. pesquisou em termo próprio dos quadrinhos (graphic novel) e ainda conseguiu estabelecer um paralelo entre o impacto do filme com relação às bilheterias de filmes brasileiros. Para quem não tinha nada a dizer, o sr. Artur Xexéo demonstrou possuir algo que não tem o autor do texto anterior: raciocínio (mínimo, é certo) independente.

Sobre o texto de Arnaldo Bloch:

Na seqüência, temos o comentário do sr. Bloch. Escrevendo como se fosse o próprio Wayne, Bloch coloca um ponto correto, mas sua cordialidade é tamanha que mais parece ter um caso com os dois e não quer, sob hipótese alguma, desagradá-los.

west_dkr_9-thumb-300x414 Desculpe-me, Bloch; mas Bruce Wayne não é um Teletubbie. O personagem defenderia a obra de maneira mais veemente, com sutil ironia e algum ceticismo. Sua versão de Wayne mais parece Adam West — como todo apreciador de HQ sabe, West só serviu para chacotas com relação ao personagem. Por favor, lembre-se disso; Batman é um defensor do que ele acha correto e defende que “os fins justificam os meios”. Você realmente acha que esse discurso de que cada um tem o direito de interpretar o que quiser é válido sem que haja uma argumentação coerente?

Sobre o 2º texto de Arnaldo Jabor:

Uma confissão: acredito que a principal pergunta da humanidade seja para quê? Nessa pergunta, encontramos, ao mesmo tempo, a justificativa (exigida como introdução da resposta) e a finalidade (a resposta em si) de qualquer fenômeno. Então, pergunto: para que o sr. acha que é um homem que reflete sobre questões importantes?

De fato, consigo imaginar a cena: o sr. sentado de frente ao seu laptop e falando: “Quem são vocês para falar qualquer coisa sobre o meu texto? Eu sou Arnaldo Jabor! Sou todo-poderoso em meus comentários! Ah, caralho, vocês vão ver só...” Daí, você olha para a direita e vê sua velha filmadora, lembra do seu passado e, com fúria escreve o primeiro texto.

Ao reler esse primeiro texto, você saliva diante da sua genialidade e percebe o óbvio: você não falou de Batman, mas de como é genial. Acaba por deletar o arquivo, ou guardá-lo para uma próxima, e começa de novo. Acho que foi assim que brotou seu enfadonho texto.

Batman_675_1024x768 Por que Batman: The dark Knight não pode ser complexo? Por que um niilista tem de ser entendido? Por que um cético não pode encarnar o Bem? Na sua ânsia de não abordar a complexidade de um personagem da mitologia contemporânea, o sr. peca numa coisa que acredito que o sr. não tenha: profundidade de análise.

Os anos de 1970 não instituíram na ficção o prazer no detalhe sangrento. Na realidade, foi Homero, no século VII a. C. O que Hollywood fez foi transformar isto em imagem, o que é básico em seu meio. A aproximação com o 11-09 poderia ser válida, mas todos os espectadores sabem que Batman: The dark Knight é um filme baseado em HQ. Basta o sr. ler algumas edições de Grant Morrison, Frank Miller e Joseph Loeb e o sr. teria o instrumental básico...

Agora, vamos para a sua nova (não tanto, não é?) comparação com o terror. Como o sr. pode ser tão cego a ponto de declarar que o terrorismo não tem motivação? Concordar com Jean Baudrillard não é refletir sobre o que ele disse, mas simplesmente plagiá-lo. Acredito que o sr. tem uma ótima motivação para escrever – alimento de seu ego pretensioso e um desejo sincero de reconhecimento pelas jovens de hoje em dia...

Dizer que o filme é uma luta do controle (paranóico) conta a anarquia (patológica) é afirma a obviedade do filme, mas acredito que o sr. não tenha percebido o seguinte: Batman coloca-se ao lado da anarquia desde o primeiro filme – ele é o homem que luta pela segmentação da força de controle (polícia) entre os indivíduos da sociedade. Porém, ele é uma singularidade nesse universo, e somente seus aliados têm real noção disso... Entretanto, o sr. preferiu ver o George W. Bush nele...

Sobre a última carta de Xexéo:

Repito o que disse antes: se não tem nada a dizer, por favor, não diga...

O sr. somente queria citar Shakespeare, não é? Isso foi muito feio, ai, ai, ai...

6 de jul. de 2008

Ânus Domini

Um fantasma assombra a Dinamarca, senhores. Amargo como leite rejeitado, feliz como santa em verso de folhinha de calendário: o fantasma do ânus literário.

Não temo pelos textos. Seu caráter é divino. Permite até mesmo que nós, pequenas criaturas que porventura escrevem, possamos imaginá-los limpando o ânus de alguém que nem sequer se imagina.

Aliás, não temo por nada, só sinto-me anestesiado. Ao saber da notícia da invenção do papel higiênico literário, vem-me à mente outra iniciativa contemporânea extramente insípida: a campanha contra acidentes de trânsito empreendida pelo detran. Os dois temas têm muito em comum, conforme mostrarei.

O Detran tem espalhado pela cidade, em outdoors, fotos em que um carro, completamente deformado pela força do impacto que lhe arrancou a estética, é ladeado por fotos de pessoas em sofrimento: ora uma criança, solitária, pendurando-se ao rosto uma lágrima quase insone e com um rosto de jovem Cristo na manjedoura, ora de um casal que chora, amarga e sofridamente. Ambos (tanto as pessoas quanto o carro em questão) nos são apresentados com o seguinte texto: "só queria dizer que te amo, mas você não voltou" (ou coisa parecida). O outdoor, à primeira vista, causa impacto, claro: pelo grau exacerbado de sentimentalismo barato e desesperado. Um apelo choroso ao emocional de indivíduos que há muito esqueceram-se do que é pensar no outro.

O que me causa impacto, nesta campanha, não é a tristeza de ver o pequeno Cristo chorando seu calvário particular, ao lado do carro flagelado, e sim a perspectiva de que esta imagem em desespero tem a força de anestesiar o seu espectador de maneira inversamente igual. A exposição prolongada a emoções fortes as transformam em respirar comum. Isso significa dizer que, em um prazo não muito longo, a foto do sofredores na campanha do Detran não só perde rapidamente a força do seu impacto inicial, como entorpece as iniciativas posteriores, tornando cada vez mais difícil o apelo ao emocional em uma sociedade emocionalmente anestesiada pelo caos moral em que se encontra.

Tive oportunidade de olhar a reação das pessoas na rua ao outdoor do Detran. Interessante notar que a falta de reação a uma criança que chora é basicamente a mesma falta de reação que se dá frente ao motoqueiro que jaz morto, ao lado da moto que sangra rente à calçada.

Em um período em que os olhos não mais sentem, talvez seja até lícito esperarmos que o ânus nos dê alguma resposta. E eis aí a correspondência entre os dois pontos. Anestesiamos os sentidos às emoções, e a literatura, formadora de emoções e refinadora de sentidos, passa a ser mero veículo para venda de produtos de higiene. Entupimos nós mesmos e nossas crianças de emoções baratas, compradas a 10 reais na lanchonete multinacional da esquina e anestesiamos o mundo ao nosso redor, transformando emoção barata em veículo de conscientização e emoção refinada em veículo para venda de papel higiênico.

O mundo está perdido.

E tenho dito.

5 de jul. de 2008

Seu ânus será mais culto, já seu cérebro...

Notícia publicada na Folha online (http://www1.folha.uol.com.br/folha/bbc/ult272u394458.shtml) e nos principais jornais televisivos, no dia 20/06/2008, tratam da mais nova invenção para a casa "moderna", o papel higiênico literário. O lindo utensílio custa a bagatela de R$4,90 e é distribuído por uma empresa espanhola para toda a Europa, Brasil e alguns países da América Latina.

Esse barato para seu ânus mostra, mais uma vez, todo o respeito que o povo tem pela literatura. Um dos maiores consumidores desse papel, conforme já dito, é o Brasil que tem a taxa de analfabetismo girando em torno de 16 milhões de Brasileiros, segundo o portal Terra (http://noticias.terra.com.br/brasil/interna/0,,OI110852-EI994,00.html). O grande negócio é que, nesses 16 milhões, não são contados os analfabetos funcionais — aquelas pessoas que lêem, mas não conseguem decodificar as informações. Se contarmos também essas pessoas, você podem imaginar quantos são realmente o público leitor no Brasil? É... isso mesmo... quase ninguém!!!!

O Brasil, porém, está investindo no papel higiênico literário. Fico imaginando o que pensaria Camões disso. "Meus Lusíadas estão limpando a bunda das pessoas? Rápido, coloque-o somente no banheiro feminino..." Ou, o que diria Machado de Assis; que completa cem anos de morte em 2008, é tema da FLIP desse ano e de inúmeras pesquisas para a reerência de sua produção artística? "Minha cara leitora, o destino de minha obra é o mesmo da sua obra: o lixo de seu banheiro... Triste é o homem que escreve..."

Além de ser uma falta de respeito com a própria literatura. Sabendo que a iniciativa de produção desse papel higiênico é de um grupo teatral, ele também é um risco para a sua saúde.

As obras para o seu deleite anal são impressas em impressoras como as da foto ao lado. O grande problema é que as tintas utilizadas são tóxicas para determinadas partes sensíveis do corpo. Se pegarmos o manual de instruções de qualquer impressora matricial veremos: "Em caso de consumo oral das tintas, vá ao médico. Perigo, tinta tóxica."

Os brilhantes inventores do papel higiênico para deixar a merda junto à literatura, devem ter pensado: "Como não tem nada a ver com a genitália e o ânus a gente pode fazer nessa impressora mesmo... Hou you DOING?" Acredito que nem mesmo Joey, o viajante perturbado (e engraçadíssimo) ator da série Friends, teria uma idéia tão brilhante para condenar inúmeras pessoas a reações alérgicas profundas.

E tenho dito!!!!

15 de jun. de 2008

Picaretagem em um show

No último dia 14, fui a um show de uma famosa banda de covers de músicas dos anos 70, 80 e 90, a banda Celebrare. Vestidos como na era Disco, a banda se propõe a animar as pessoas com as músicas dançantes que fizeram sucesso nessas três décadas. Como sou um amante dessas músicas mais antigas e mais animadas, e como me indicaram este show como sendo um dos mais movimentados no Brasil, fui lá esperando dançar terrivelmente.

cartaz celebrareap Ao chegar no local do show, vi uma espécie de cantor sertanejo e humorista de péssima categoria. Este era o show de abertura que contava com músucas (em enrolês) de Elvis, Nat King Cole, Luis Armstrong. O rapaz parecia uma pombagira no palco: pulava, errava as letras (até mesmo as de Fábio Jr.) e tinha uns tremeliques horrorosos, mas conseguiu, de alguma forma mística, divertir-me. Era um rapaz bem humorado e que contagiava apesar dos defeitos. Ri bastante da apresentação do rapaz e, às 23:32, ele terminou sua apresentação. O DJ que entrou logo em seguida conseguiu animar definitivamente o pessoal com todos os hinos gays da década de 1970. Assim, a arena estava montada para a Celebração do saudosismo.

A banda entra e já começa mal. A música desanima a galera que esperava um começo bombástico. Assutadoramente, a seleção musical é horrível, terrível e muito pouco respeitosa para um público que esperava dançar. Havia uma esperança, entretanto, Marco Manela e o YMCA.

Quando o senhor Marco entra no espaço do palco, percebemos de imediato o seu desânimo. Apático, ele inicia com Macho Man e segue rapidamente para YMCA, a melodia estava tão lenta que mais parecia uma valsa para uma festa de 15 anos. Dessa forma, somos levados a crer que o show será péssimo...

E é isso mesmo o que acontece a seqüência de músicas apresenta a versão dos anos 2000 de uma música do Santanna, Madonna e algumas versões em ritmo lentíssimo de músicas da década de 1970. Perceberam que ainda não falei nada sobre I will Survive, certo?

O show termina e as pessoas começam a pedir bis, minha mente já revoltada começa a pensar: "eles vão tentar salvar o show com I will survive..." E é extamamente o que acontece: Sylvia de Galhardo entra e canta o hino gay com alguma empolgação e parecendo, ao menos para mim, a lacraia em palco. Mesmo assim, isso não bastou, eles realmente tentaram salvar o show, pois todas as músicas que não foram cantadas até então, eles resolveram cantar num medley dançante. Não empolgou, a revolta já estava generalizada e algumas pessoas só se empolgaram realmente com o retorno do DJ e suas músicas verdadeiramente celebrativas.

Devemos lembrar sempre que o sucesso faz com que as pessoas tornem-se absurdamente ilógicas. Explico-me dizendo o seguinte: se você fez sucesso com um tipo de formato, mude-o aos poucos. Caso queira fazer o contrário, viva sob a máscara do gênio que, talvez, isso dê certo. Agora, uma banda que vive de chupinhar as músicas dos outros, deveria, ao menos, garantir seu sucesso sempre e não somente obter o sucesso e achar que são artistas. Nesse caso, eles são músicos, pois dominam a técnica com tamanha perfeição que podem mimetizar várias tendências num espetáculo agradável, o que, neste caso, não foi...

Agora, fiquemos com uma das coisas mais engraçadas que vi este final de semana...