No último dia 14, fui a um show de uma famosa banda de covers de músicas dos anos 70, 80 e 90, a banda Celebrare. Vestidos como na era Disco, a banda se propõe a animar as pessoas com as músicas dançantes que fizeram sucesso nessas três décadas. Como sou um amante dessas músicas mais antigas e mais animadas, e como me indicaram este show como sendo um dos mais movimentados no Brasil, fui lá esperando dançar terrivelmente.
Ao chegar no local do show, vi uma espécie de cantor sertanejo e humorista de péssima categoria. Este era o show de abertura que contava com músucas (em enrolês) de Elvis, Nat King Cole, Luis Armstrong. O rapaz parecia uma pombagira no palco: pulava, errava as letras (até mesmo as de Fábio Jr.) e tinha uns tremeliques horrorosos, mas conseguiu, de alguma forma mística, divertir-me. Era um rapaz bem humorado e que contagiava apesar dos defeitos. Ri bastante da apresentação do rapaz e, às 23:32, ele terminou sua apresentação. O DJ que entrou logo em seguida conseguiu animar definitivamente o pessoal com todos os hinos gays da década de 1970. Assim, a arena estava montada para a Celebração do saudosismo.
A banda entra e já começa mal. A música desanima a galera que esperava um começo bombástico. Assutadoramente, a seleção musical é horrível, terrível e muito pouco respeitosa para um público que esperava dançar. Havia uma esperança, entretanto, Marco Manela e o YMCA.
Quando o senhor Marco entra no espaço do palco, percebemos de imediato o seu desânimo. Apático, ele inicia com Macho Man e segue rapidamente para YMCA, a melodia estava tão lenta que mais parecia uma valsa para uma festa de 15 anos. Dessa forma, somos levados a crer que o show será péssimo...
E é isso mesmo o que acontece a seqüência de músicas apresenta a versão dos anos 2000 de uma música do Santanna, Madonna e algumas versões em ritmo lentíssimo de músicas da década de 1970. Perceberam que ainda não falei nada sobre I will Survive, certo?
O show termina e as pessoas começam a pedir bis, minha mente já revoltada começa a pensar: "eles vão tentar salvar o show com I will survive..." E é extamamente o que acontece: Sylvia de Galhardo entra e canta o hino gay com alguma empolgação e parecendo, ao menos para mim, a lacraia em palco. Mesmo assim, isso não bastou, eles realmente tentaram salvar o show, pois todas as músicas que não foram cantadas até então, eles resolveram cantar num medley dançante. Não empolgou, a revolta já estava generalizada e algumas pessoas só se empolgaram realmente com o retorno do DJ e suas músicas verdadeiramente celebrativas.
Devemos lembrar sempre que o sucesso faz com que as pessoas tornem-se absurdamente ilógicas. Explico-me dizendo o seguinte: se você fez sucesso com um tipo de formato, mude-o aos poucos. Caso queira fazer o contrário, viva sob a máscara do gênio que, talvez, isso dê certo. Agora, uma banda que vive de chupinhar as músicas dos outros, deveria, ao menos, garantir seu sucesso sempre e não somente obter o sucesso e achar que são artistas. Nesse caso, eles são músicos, pois dominam a técnica com tamanha perfeição que podem mimetizar várias tendências num espetáculo agradável, o que, neste caso, não foi...
Agora, fiquemos com uma das coisas mais engraçadas que vi este final de semana...
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