15 de jun. de 2008

Picaretagem em um show

No último dia 14, fui a um show de uma famosa banda de covers de músicas dos anos 70, 80 e 90, a banda Celebrare. Vestidos como na era Disco, a banda se propõe a animar as pessoas com as músicas dançantes que fizeram sucesso nessas três décadas. Como sou um amante dessas músicas mais antigas e mais animadas, e como me indicaram este show como sendo um dos mais movimentados no Brasil, fui lá esperando dançar terrivelmente.

cartaz celebrareap Ao chegar no local do show, vi uma espécie de cantor sertanejo e humorista de péssima categoria. Este era o show de abertura que contava com músucas (em enrolês) de Elvis, Nat King Cole, Luis Armstrong. O rapaz parecia uma pombagira no palco: pulava, errava as letras (até mesmo as de Fábio Jr.) e tinha uns tremeliques horrorosos, mas conseguiu, de alguma forma mística, divertir-me. Era um rapaz bem humorado e que contagiava apesar dos defeitos. Ri bastante da apresentação do rapaz e, às 23:32, ele terminou sua apresentação. O DJ que entrou logo em seguida conseguiu animar definitivamente o pessoal com todos os hinos gays da década de 1970. Assim, a arena estava montada para a Celebração do saudosismo.

A banda entra e já começa mal. A música desanima a galera que esperava um começo bombástico. Assutadoramente, a seleção musical é horrível, terrível e muito pouco respeitosa para um público que esperava dançar. Havia uma esperança, entretanto, Marco Manela e o YMCA.

Quando o senhor Marco entra no espaço do palco, percebemos de imediato o seu desânimo. Apático, ele inicia com Macho Man e segue rapidamente para YMCA, a melodia estava tão lenta que mais parecia uma valsa para uma festa de 15 anos. Dessa forma, somos levados a crer que o show será péssimo...

E é isso mesmo o que acontece a seqüência de músicas apresenta a versão dos anos 2000 de uma música do Santanna, Madonna e algumas versões em ritmo lentíssimo de músicas da década de 1970. Perceberam que ainda não falei nada sobre I will Survive, certo?

O show termina e as pessoas começam a pedir bis, minha mente já revoltada começa a pensar: "eles vão tentar salvar o show com I will survive..." E é extamamente o que acontece: Sylvia de Galhardo entra e canta o hino gay com alguma empolgação e parecendo, ao menos para mim, a lacraia em palco. Mesmo assim, isso não bastou, eles realmente tentaram salvar o show, pois todas as músicas que não foram cantadas até então, eles resolveram cantar num medley dançante. Não empolgou, a revolta já estava generalizada e algumas pessoas só se empolgaram realmente com o retorno do DJ e suas músicas verdadeiramente celebrativas.

Devemos lembrar sempre que o sucesso faz com que as pessoas tornem-se absurdamente ilógicas. Explico-me dizendo o seguinte: se você fez sucesso com um tipo de formato, mude-o aos poucos. Caso queira fazer o contrário, viva sob a máscara do gênio que, talvez, isso dê certo. Agora, uma banda que vive de chupinhar as músicas dos outros, deveria, ao menos, garantir seu sucesso sempre e não somente obter o sucesso e achar que são artistas. Nesse caso, eles são músicos, pois dominam a técnica com tamanha perfeição que podem mimetizar várias tendências num espetáculo agradável, o que, neste caso, não foi...

Agora, fiquemos com uma das coisas mais engraçadas que vi este final de semana...

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