20 de nov. de 2009

Implante Coclear… Enfia e chupa!!!!

Antes de mais nada, vejam o vídeo abaixo. Ele é o motivador de nosso pequeno e singelo texto:

 

 

No dia 19-05-2009, o programa Mais Você, da apresentadora Ana Maria Braga colocou no ar uma reportagem em defesa do Implante Coclear, um tipo de cirurgia invasiva que permite, em teoria, a pessoas surdas começarem a escutar. A defesa é feita pelo Presidente da Sociedade Brasileira de Otorrinolaringologia – Dr.Ricardo Bento.

Segundo este honorável senhor, defende que o implante Coclear pode ser usado para deficientes auditivos severos e profundos (notem que sou eu que estou usando os temos politicamente corretos aqui). Depois da cirurgia em que um aparelho é ligado diretamente ao seu cérebro, a pessoa passa de seis meses a um ano calibrando o aparelho junto a uma fonoaudióloga.

Como toda a reportagem da Rede Globo de Televisão, esta não deixa de seguir uma linha pedagógica parcial. A partir de 01:15 do vídeo, vemos a emoção de um senhor que perdeu a audição há 22 anos. Lindo, comovente e hipócrita. A partir de 02:40, após o comovente depoimento do velhinho que agora pode ouvir seus filhos, o Dr. faz uma ressalva: o implante deve ser colocado o mais cedo possível. Incrivelmente, a apresentadora não se pergunta o porquê disso. Seria uma pergunta interessante, pois há vários casos de pessoas implantadas com problemas psicológicos.

O custo do aparelho é de R$ 70 mil. Para o doutor, esse custo é menor que o custo de um marcapasso – R$ 13200. Já sabemos, logo de início que nosso Presidente é muito ruim quando o assunto é matemática simples. Entretanto, o eminente médico afirma que a relação custo-benefício é maior que a relação de um marcapasso. Como? Acho que não entendi... E ele explica em 05:33: “Você vai sociabilizar uma criança que ia ficar a vida inteira dependendo de alguém, não ia ter sua profissão, não ia poder estudar. Ia ser basicamente um pária da sociedade”.

Pária da sociedade?! Pária da sociedade?! Como um médico se porta dessa forma? Vejamos, um homem que estudou 23 anos de sua vida e decidiu ser Otorrinolaringologista e ainda não compreende os processos de adaptação dos homens? Ele, por acaso, não sabe que a comunidade surda, há muito tempo, desenvolveu uma LÍNGUA própria e existem deficiente auditivos que são médicos (como nosso amigo da KKK), advogados, escritores, bateiristas e até mesmo pesquisadores na área médica, somente com a capacidade de criação de uma LÍNGUA simbólica e sem nada enfiado na cabeça?!

Quem esse porco gordo (porque gordura em muitos casos é pior do que os atuais vícios perseguidos como cigarro, por exemplo) para dizer que o maravilhoso implante Coclear é a solução para os “párias da sociedade”? Ao que tudo indica, nosso excelente amigo é um imbecil pretensioso que somente quer mamar nas tetas do Governo. Como? Explico.

A grande questão não é somente democratizar o implante, mas conseguir subsídios do SUS para comprar aparelhos e pagar a operação que sai do dinheiro do Estado. Ou seja, é a mesma coisa que a venda de merendas. Em 06:26, ele afirma que as crianças com menos de um ano serão aquelas que terão o ótimo resultado. Então, por que fazer isso nas crianças ou mesmo pessoas mais velhas? O resultado não será bom... As palavras são do médico da KKK. Ele afirma que, quanto mais velho, o resultado não será tão bom... Isso significa, problemas de adaptação para uma pessoa que já estava adaptada, problemas psicológicos para uma pessoa que não tinha nenhum, problemas, problemas, problemas...

O que aconteceu no programa Mais Você é o mais puro e imoral lobby para o convencimento das pessoas. Notem que todo o tempo da “reportagem”, Ana Maria mostra PENA com relação aos surdos. Por que, então, não temos peninha das pessoas que desenvolvem câncer porque travam o reto? Ah, Ana Maria quer que eu tenha peninha de você? Faça o seguinte, chama esse médico da KKK e peça para ele colocar o implante Coclear na base de sua coluna vertebral para que você possa fazer os movimentos corretos para um bom estágio final de digestão. Assim, a sra. não precisará utilizar mais perucas ridículas devido a sua quimio.

Os leitores podem achar que essa é uma atitude um tanto radical para com a apresentadora, mas pensamos por um momento: por que eu tenho de ter pena dela se ela defende aos bolsos do otorrino uma quantia em torno de R$ 100mil? Se ela demonstra pena por pessoas que não têm problemas de adaptação a não ser a ignorâncias das pessoas com relação à LIBRAS e à cultura surda?

E tenho dito.

17 de out. de 2009

Das condições particulares de um Hospital

Hoje, dia 05.10.2009, acompanhei minha esposa a um hospital particular da rede de nosso plano de saúde, trata-se de uma rede que sempre fica em nossa memória...

Após 20 minutos esperando para fazer uma ficha na Emergência (o que deveria significar atendimento rápido), ela foi atendida. O interessante nesse caso é que ela sabia exatamente qual era o problema e queria somente fazer os exames de confirmação. Sem sair da Emergência, os exames foram pedidos. Não tão rápido quanto se esperaria, mas não podemos cobrar eficiência em um país que tem como maior significado o jeitinho, não é?

Devo dizer, entretanto, que foi notável a espera para o cadastramento na dita Emergência. Três atendentes tentavam dar conta do serviço emergencial e da entrega de exames para todo o hospital. As pessoas, sem ter qualquer organização, estavam num espaço de 3.5 metros quadrados, acabavam por atropelar a vez um dos outros.

Não recrimino essa postura, o problema era a falta de uma organização emergencial para a Emergência. Mesmo assim, o pior estava por vir: enquanto esperávamos, um homem começa a assobiar com certa insistência. Era pra mim que ele assobiava. Aquele homem, em meio a pessoas doentes e frágeis, estava carregando um carro de entulho, algo que realmente deve estar nesse tipo de ambiente. Era algo tão inusitado que permiti a passagem do referido moço com um olhar ao mesmo tempo incrédulo e surpreso.

Naquele momento, achei que estivesse do outro país. Talvez Afeganistão, talvez Etiópia... 3 metros quadrados, entulho e gente doente. Quase um coquetel molotov para todos.

Revoltado, saí pra fumar, e acabei vendo o pior: lixo hospitalar saindo por uma das entradas do hospital... Lixo Hospitalar?!? Realmente, fiquei boquiaberto, ainda mais sabendo que estava a somente três portas de onde as pessoas faziam exames de sangue. Simplesmente inconcebível... O lixo não era retirado de forma a respeitar os buracos que eram feitos para os exames, mas de qualquer jeito. Um homem saía e jogava sacos plásticos azuis para uma caçamba de caminhão que se fecharia ao final do processo.

Vamos pensar: a gravidade exerce uma aceleração de 9.8m/s² em qualquer objeto atirado para cima. O homem pegava um saco plástico amarrado e atirava-o para cima. Com a aceleração, como poderia constatar que os sacos, ao caírem na caçamba, não tinham estourado e liberado toda a sorte de vírus? Ainda mais, de frente para o caminhão havia um restaurante que estava completamente aberto ao público. Ai, ai... Nossas autoridades não fazem fiscalização, se fizessem, vocês acham que isso aconteceria em um hospital situado na “zona sul da zona norte”?

Bem, pelo menos, após algumas semanas ainda não fiquei com a pele verde, com escamas, ou mesmo me transformei num monstro de três metros... Se bem que, essa última possibilidade, seria deveras interessante...

E tenho dito!!!!

1 de ago. de 2009

Politicamente correto de cu é…

Como o objetivo desse blog, caros leitores (se é que temos algum), é colocar sempre lenha na fogueira, vamos diretamente aos fatos: começa hoje a micro-série Decamerão – A Comédia do sexo. Não estou aqui para julgá-la sob o ponto de vista de adaptação literária, nem sob qualquer outro… Na verdade, o que me intriga nessa série é que seu anúncio e seu título revelam que a série será algo puramente rimado e sexual. Muito estranho vindo de uma emissora que se coloca aos olhos de todos como um baluarte da moral e dos bons costumes. Sinceramente, por que alguém gostaria de ver uma estrábica, uma branquela, uma bichinha e um negão se comendo durante algumas semanas? A quem, de fato, essa série é dirigida? Não é àqueles que gostam de poesia, pois, para isso leriam um bom livro (aconselho a ler os poemas do Gregório de Matos que são do arco da velha). Tampouco, àqueles que gostam de ver filmes pornôs, pois na TV isso nunca teve muita graça mesmo… Então?!

Deixando a mente livre e mudando rapidamente de assunto, lembrei-me que, no post do  Ezequiel, a motivação básica foi uma piada (muito boa, aliás) do Danilo Gentilli que não fala sobre negros, ahãn afro-descendentes (aqueles caras que nasceram de uma sacanagem em que participava um negro ao menos). Ele falava sobre jogadores de futebol… Pergunto-me se a piada, que era preconceituosa com relação a louras, tivesse como pergunta: “Quem ele pensa que é? Presidente do Brasil?!” Fico imaginando, assim, um bando de Mamelucos ou mesmo metalúrgicos fazendo uma algazarra com relação a esse comentário… Pelo amor de Deus!!!! Quando alguém reinvidica uma dívida histórica, deve, no mínimo, ter algum critério para reinvidicá-la!

Lembro-me dos meus 15 aninhos, quando mudei de escola e fui parar num ilustre colégio da Zona Sul carioca. Estranhamente fui apelidado de Zulu. Então, nesse caso, posso dizer por experiência própria: Sr. Hélio de La Peña, vai tomar no seu cu, pois preconceituoso é o senhor que passou 8 anos de sua vida aproveitando-se de nossa hipocrisia e fazendo jovens rapazes sofrerem por conta disso!!!! Ele possivelmente vai argumentar que não teve culpa e o escambau. De fato, ele não tem culpa a não ser repetir a fórmula do politicamente correto: quando se está na crista da onda, pode-se tudo; quando não, pode-se nada…

Deixando a hipocrisia de lado e retornando aos movimentos sociais… Fichando rapidamente a postura deles: Movimento Negro (desculpe retire o “Negro” e coloque aqueles caras que nasceram de uma sacanagem em que participava um negro ao menos) – risível e não-consciente de seu papel; Direitos Humanos (para os não-humanos somente) – risível e não-consciente de seu papel; Movimentos de renovação – risíveis e não-consicentes de seus papéis. Ou seja, aconselharia à Rede Globo de Televisão a juntar essa patota toda e fazer uma série, ou aproveitá-los em Zorra Total.

Agora, por favor, deixem o coitado do Gentilli em paz. Afinal de contas, ele é um ítalo-descendente. Esse povo sofreu horrores para conseguir se firmar no Brasil e também devem ter os seus traumas históricos. Afinal de contas, eles, historicamente, não têm relação com negros, pardos, mulatos ou crioulos em geral; mas têm envolvimento com CPI, fraude, corrupção, etc. Basta que olhemos os sobrenomes da maioria das bancadas no Senado e na Câmara…

Continuo a concordar com o Presidente da Afrobras (só gostaria de saber se isso é grupo de pagode ou um movimento sério), foi desrespeitosa a piada… Com as louras, porra!!!! Sexo com macaco?! E ainda por cima, com um gorila de 15 metros… Imagina o tamanho da trozoba do bicho… E dizer que macaco pensa já é fato científico, então por que não? Afinal de contas, somos somente 2% dessemelhantes aos chimpanzés, não é isso?

Num país em que vemos pseudo-sacanagem estampada na TV ao mesmo tempo em que um humorista preconceituoso e racista ao extremo tenta combater o racismo pode ser levado a sério? Acredito que não… Acho que somente com a seriedade, sacaneadora, desse pessoal do CQC brasileiro é que conseguimos ainda pensar um pouco mais sobre a indecência que é ser politicamente correto.

E tenho dito!!!!

 

 

31 de jul. de 2009

Na crista da onda… do politicamente correto

Aqui estou eu de novo… Sei que todos vocês, legiões de leitores, não se aguentavam mais de saudades! Mas voltei! O dever me chama ao fronte novamente. Uma onda, meus senhores, uma onda submerge nossa sociedade. Pois bem, nos últimos dias um assunto bombou entre os usuários brasileiros do Twitter - para quem não sabe o que é Twitter (como eu até poucos dias atrás) vale dar uma olhada na Wikipédia e descobrir (o quê? vocês não acharam mesmo que eu ia explicar né?) –. Danilo Gentilli, o repórter inexperiente do programa CQC, foi acusado por algumas hordas de twitteiros de racismo após postar a seguinte piada:

"King Kong, um macaco que, depois que vai para a cidade e fica famoso, pega uma loira. Quem ele acha que é? Jogador de futebol?"

A polêmica gerada foi tão grande que em pouco tempo deixou de ser virtual e passou a ser assunto do ministério Público Federal de São Paulo – impolutíssimos procuradores que, sem dúvida, fazem seu trabalho tão bem a ponto de não ter nenhum outro assunto mais importante para tratar do que posts no Twitter – que até o momento divulgou estar apurando se ouve ou não conteúdo racista no comentário. As ONGs, claro, não poderiam ficar de fora dessa. Imediatamente o presidente da afrobras, declarou “Isso [o post] foi indevido, inoportuno, de mau gosto e desrespeitoso. Desrespeitou todos os negros brasileiros e também a democracia. Democracia é você agir com responsabilidade.” Até mesmo o também humorista Hélio de La Peña disse que a piada não teve graça. Seguiram-se posts e mais posts condenando o comentário de Gentilli, que chegou mesmo a se desculpar. Mas não sem antes postar um magnifico texto em seu blog.

Antes de continuar vamos ser sinceros… A piada foi boa pessoal… King Kong, jogador de futebol! Como eu não pensei nisso antes? Hélio de La Penã que me desculpe, mas para mim isso é despeito de quem não consegue fazer uma piada boa (seja sobre negro, judeu ou sobre a novela das 9) há muito tempo.  Esse complexo de vira-lata, como diria Nelson Rodrigues, que parece estar impregnado em algumas sociedades negras do Brasil não é novidade. Gentilli aponta para uma coisa que eu sempre me questionei: um negro, ou melhor um afro descendente (para entrar no espirito do post), pode andar na rua com uma camisa escrito “100% Negro” que todo mundo acha um máximo essa coisa de orgulho racial, totalmente normal! Agora, se eu, resolver usar uma camisa escrita “100% Branco” ou melhor ainda, “100% Ariano” na rua é provável que eu vá parar numa delegacia se conseguir escapar das hostes enfurecidas. danilo

 

Se eu grito para alguém num bar “senta ai seu preto” todo mundo me olha torto. Se eu falo que um “preto filha da puta” me assaltou, sou preconceituoso. Mas se foi branquelo tá tudo bem! Branco, burro, viado… tudo é moralmente melhor que… preto! Por quê? Será que alguém consegue me explicar porque não posso chamar o n egro de… negro? Fui criado sendo ensinado a chamar pessoas negras de escurinhas. Um tremendo racismo velado. Um preto pequeno não é pretinho. É escurinho. É “de cor”. É afro descendente. Gordinha pode, cabeludo pode, altão pode… Pretinho é frio.

Isso é o chamado “preto de alma branca”. É a sociedade tentando esbranquiçar a questão. Ao invés de aceitar que as pessoas tem cores diferentes, o que vigora de um lado é fingir que um adjetivo simples não existe. Então cria-se esse movimento de orgulho negro. “Orgulho negro”? Com assim? Me explica? Onde está o “Orgulho Humano”? Por que o Orgulho de ser brasileiro só de quatro em quatro anos? Pensando bem, não é nada orgulhoso pertencer ao uma espécie que insiste em se subdividir em raças, quando na verdade somo todos farinha do mesmo saco.

E não me venha com essa de esse papo de “raça traumatizada”. Os negros foram, muito explorados, sofreram muito, etc. etc. etc.… Ninguém quer aulas de história por aqui. Falando em história, é isso que as sociedades do “Orgulho Negro” alegam para justificar exdruchulismos sociais como cotas raciais. Dívida histórica. É politicamente correto dizer que temos uma dívida histórica com o povo negro. Queria entender isso… Será que deveríamos desembarcar e tomar Portugal em nome de nossa dívida histórica? E Portugal, deveria lançar-se em uma guerra enlouquecida conta os vizinhos espanhóis por conta dos verdadeiros saque sofridos durante a união ibérica? Claro… Os espanhóis podiam aproveitar para cobrar sua dívida da Inglaterra… Os judeus então… Ainda bem que eles são bons em cobrar dívidas!

Uma dívida histórica é naturalmente uma dívida odiosa. Uma dívida contraída contra nossa v ontade. Nenhum brasileiro vivo teve escravos. Nenhum negro vivo foi escravizado. Os ofendidos e os ofensores já não estão mais aqui. O jeito que se fez abolição aqui foi uma verdadeira piada. Não estou questionando isso. Mas não adianta repetir os mesmos erros para tentar corrigir o passado. Não adianta ser politicamente correto. Se fosse assim, todo mundo (negro, branco, amarelo, azul), pensaria duas vezes em sua dívida ATUAL, com a África antes de tomar um remédio.

Isso é o mais hipócrita nesse surto do politicamente correto que vivemos, essa questão de conveniências. Vamos voltar um pouco noguerra tempo ok? Há alguns anos atrás, enquanto o Estados Unidos estavam em guerra com o Iraque a rede globo exibia em seu horário das nove, Mulheres Apaixonadas. O autor – que obviamente, tinha que ser o Manuel Carlos, vulgo Manuca – prometia o que seria o primeiro beijo gay do horário nobre brasileiro. Com um casal de lésbicas claro, afinal o homossexualismo feminino tá na moda, logo é menos agressivo ao olhar. Pois é… Não teve beijo. O que teve foi um selinho, disfarçadíssimo, envergonhado! Por quê? “Porque a sociedade não estava preparada”. Estávamos preparados para ter desenhos animados interrompidos por chamadas ao vivo do Iraque com misseis caindo em cima de escolas, mas não para ver um casal se beijando decentemente! Ah, e claro… é bom lembrar que no contexto em que aconteceu o tal selinho, estavam uma professora alcoólatra, uma que pegava o aluno e apanhava do Tom Hanks em casa… Tudo isso passou batido quando o assunto foi… um simples beijo.

Nesse país de insanos as mesmas pessoas que chocam-se ao ver dois barbudos que se amam beijando-se no banco de uma praça acabaram de passar batidas por uma criança cheirando cola. Guerra não é chocante. A dor alheia não é chocante. Mas ser livre incomoda demais!

picapauÍcones que divertiram a geração passada nunca seria criados hoje em dia. O Pica-pau, preguiçoso, oportunista, ficava dormindo enquanto os outro trabalhavam e ainda se dava bem no final com aquela sua gargalhada sem vergonha. Hoje em dia? Nunca… Sitio do pica-pau amarelo, em que um dos personagens era deficiente físico e com fumava um cachimbo! Na versão nova do sítio o saci não fuma!

A onda do politicamente correto muda nossa cultura. Não sou exatamente apegado a tradições folclóricas, mas coisas simples da tradição oral ameaçam se perder. Em algumas escolas as cantigas estão sendo reinventadas, para não dizer censuradas! Agora é

“Não atirei o pau no gato, to, to. Por que isso, so, so, bão se faz, faz, faz. O gatinho, nho, nho, é nosso amigo, go, go. Não devemos maltratar os animais, jamais!”

Só para citar uma. Tamanha imbecilidade já é suficiente para um post. Será que desenhos do pica-pau e cantigas nos fizeram seres humanos que não respeitam seus semelhantes? Será que se nossa geração tivesse crescido sendo “preparada” para ver duas pessoas do mesmo sexo se beijando não seriamos menos hipócritas como um todo? Não, não formamos um geração de psicopatas com desenhos animados divertidos. Ocultar o mundo com ele é em nome do politicamente, do moralmente correto cobra seu preço mais tarde.

Ou fazemos alguma coisa logo ou vamos terminar como os Estados Unidos: a maior indústria pornô do mundo é um dos países mais antiquados também. A superpotência da hipocrisia e dos contrates.

 

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26 de jun. de 2009

Uohhhhhhhhh!!!! Morre Jackson

Já não é notícia nova que Michael Jackson morreu ontem (25/06/2009)… A novidade está na postura com a qual a mídia está tratando o assunto. O sr. Jackson (senhor porque tinha 50 anos ao morrer) foi um sucesso nas décadas de 1970 e 1980. Perdeu seu prestígio na década seguinte, mas, foi exatamente aí que conseguiu consagrar-se como o Rei do Pop.

O astuto leitor deve estar se perguntando nesse momento “Como pode? Se ele fez sucesso nos anos de 1980, em carreira solo, como ele conseguiu se tornar o Rei do Pop nos anos de 1990?” Caro leitor, a ingenuidade é própria daqueles que não refletem sobre o mundo que o cercam. Não me admira que não consiga chegar facilmente a essa conclusão…

Pois bem, vou explicar de maneira rápida e sucinta. A cultura pop é produzida por dois tipos de fenômenos que interessam a todos: o gênio (o talento que espanta) e a aberração (o talento que prescinde do nojo para se manter). o sr. jackson2 Jackson foi, de certa forma ambos. O gênio está em todas as mídias, basta que você, leitor, vá à Globo.com ou mesmo no Jbonline ou no site O Fuxico para saber mais sobre isso. O que me interessa é a outra parte, o lado freak do Rei do Pop.

As notícias com relação a Jackson a partir dos anos de 1990 somente eram relacionadas às suas escolhas desastrosas, reflexos de anos de vida sem terapia, de abusos cometidos pelos pais e de abusos cometidos pelo mainstream midiático. Podemos dizer que Michael, ao longo dos anos, tornou-se um monstro, uma caricatura de Hyde que somente gostava de comer bala Garoto e se divertir em Neverland.

O maior problema de Jackson, no entanto, não era o desvio psicológico, não eram as infinitas plásticas que o transformaram num monstro, mas a alcunha de Rei do Pop. Numa espécie de retroalimentação de informação, Michael se sentia na obrigação de alimentar a mídia com notícias sobre si: ora as plásticas, ora uma acusação, ora um casamento com a filha de um outro Rei (e não estou me referinfo a Roberto Carlos), ora o balanço sádico de uma pequena criança (seu filho) na janela de um hotel. Michael manteve-se constantemente na mídia nos anos de 1990, apesar de seus discos venderam cada vez menos e soarem como meras repetições de antigos sucessos.

Não estou procurando aqui, voraz leitor, um culpado pela morte de Jackson, lisa_marie_michael mas um culpado pelos documentários e notícias elogiosas. Todas as notícias que vimos hoje publicadas nos mais diversos meios atestam que Michael Jackson era um gênio, mas somente o nosso polêmico e delicioso blog atesta que Michael Jackson foi um talento que se transformou em aberração. Por isso, não me espanta a cara de nojo de sua primeira esposa…

E tenho dito…

 

20 de abr. de 2009

Concertino de Câmara.

Bom, sei que o blog é essencialmente crônico e cotidiano, comentando com viés crítico e articulado fatos contemporâneos. Mas resolvi publicar, aqui, uns negocinhos que andei escrevendo esses dias, que nada têm de crônicas ou críticas, talvez sejam, sim, resultados de um tumulto de alma crônico. Mas daí já em muito fugiram do blog. Enfim, fica aqui o dito pelo que dizer. São quatro textos que lidam com uma tentativa "feminina" de apreensão estética. Não sei se ficaram bons. Nem sei se ficaram. Mas vão como estão. Inclusive, nem estão numa possível ordem. Vá saber... Enfim, eis:


STACATTO


Um dia ela acordou e viu que não tinha mais nada em casa. Levantou-se e permaneceu sentada (a cama tinha-lhe sido roubada durante o sono). Olhou ao redor e estranhou as paredes, como se não fossem. E o sol que descia à janela parecia o mesmo, mas já não era mais o dela, era como algum raio que lhe havia sido roubado também durante a noite. Tocou com as solas dos pés no chão (roubaram-lhe as sandálias e as pontas sensíveis dos dedos) e mordeu a palma da mão. Cerrou os olhos pra ver se dormia de novo e acordava na casa de antes, com tudo intacto, o relógio de parede velho, a vizinha que reclama do gato fugido pelo corredor. As pálpebras tremiam umas contra as outras, brigavam entre si pela escuridão.

As pessoas lá do térreo cada vez mais baixo. Sentiu o calor do suor provocado pelos raios de um sol recuperado. Tinha os olhos fechados, mais sentia os prédios se amontoando nas esquinas promíscuas daquela escuridão, eles gritavam mais alto enquanto as bolinhas luminosas pipocavam a sua frente. O gato miando na escada. Pobrezinho, deve estar com fome.

Agora aquela era a casa sim. Mas aí já não era mais dela.


LEGATO


Abre os olhos e reconhece a rua. As casas à esquerda tão iguais e tão diferentes. Ela diz a si mesma “vai passar, isso vai passar”, e as gotas cada vez mais estáticas do céu. Sacode os pés encharcados e percebe a infinidade que o gelado da água a leva a abandonar. Não há nem sequer um “se”. Tudo: uma réstia de samambaia pendurada de uma janela erma, o sorriso minúsculo das poças de água sob os varais comedidos, procissões de passos e suspiros sob o sono dos toldos. Cheiros e gostos irreconhecíveis e insondáveis pela bruma. Uma louça ao chão. Bater de talheres. Som rouco de matraca. Tudo calculado (uma vez que o caos é Deus caprichando).

Ela, parada, no meio. Tenta não reconhecer a rua. E os enormes canteiros de obras que escondem um pensamento de não vir. E um avião que cruza o céu silente e penosamente. E uma família que bem pode ser a sua, acenando de várias janelas. E os pombos, encharcados, comendo migalhas adocicadas de água nuvosa.

Aí ela finalmente se esquece da rua, e vira estrada.


ANDANTINO

Misteriosamente vaga e entorpecida a Dama do Sono afaga a cabeça dela e o pior é que ela não quer dormir ela não quer nada quer simplesmente sonhar acordada e olhar e não ter que escolher entre a baliza esquerda de granito e diamantes rústicos e a baliza direita de mármore e prismas encravados porque cada uma destas balizas tem as suas belezas eternas e inlapidáveis a um mesmo momento em que percebe o redor tão mais bonito sem a desnecessidade incomensurável de se escolher qualquer coisa que seja ainda que momentaneamente entrebatida nos reflexos entrebalizas criados por uma luz vermelhocorrompida ela tenta esboçar qualquer coisa que digam que é sentimento mas solta uma espécie de inarticulação e as balizas respondem com o eco que é próprio dos lugares aonde ninguém vai

finalmente cansada de contemplar cores que nem dela são mais olha as balizas e baixa a cabeça pesada porque sabe que qualquer uma pra qual ela estrada vire vai desaguar na amplitude de uma longínqua paisagem essencialmente inominável o próprio nome ”paisagem” não faz jus ela pensa parece triste essa constatação mas não é somente coriza no nariz e um pouco de autocomiseração ela calça botas de chuva e casaco grosso porque o tempo é inclemente e a jornada é longa e fascinante em si.

Ela sabe sorriso de estrelas e volteios no ar. Mas aí ela já virou viajante.


ALLEGRETTO

Tateia o chão seguro e compassivo: de cor repleta de vontades náufragas, gravetos de marrom despedaçado, paralelepípedos em clausura, enverdecidos de um cinza mornado, que esbarram no horizonte desmaiado. Ela corre as distâncias no olhar seco, ela corre os tornados tropicais, ela corre os tornados combalidos, pelo precioso colar da febre. São roseolhos tisnados, sofridos; e feridas alcantilopalinas; são corpos azulentrechocados. Mas também há flores e borboletas, e nelas qualquer cor é muito pouca, pois não há nada mais descabido, que contar o oportuno da rosa. O cheiro de café nas folhas soltas, de terra subindo durante o passo, de velha madeira de dar em doido, de correr mais do que o suor comporta. Cheiro de torto nos pulmões que enxergam: a grama levantada pela foice, de ar gelado de serra venturosa, de ladeira descida às baforadas, de todos os caminhos dos seus dedos.

Gosto de lençol apertado em pernas, de framboesa sob a pele enxuta. Amanitas servidas ao café. Ponta da língua ocultando o sutil, o doce do olhar do suor do outro. A terra subindo, entrando na boca. Enquanto os abraços trocam de dono. Há sentido infinito em alcançar, com o paladar anestesiado, o corpo reclinado e solto, os cotovelos que apoiam a matéria, o recôndito d’alma descoberta.

Ela se ilude com o tempo, mas aí tateia o chão seguro e compassivo.

6 de abr. de 2009

Vestibular – Independência ou gonorréia intelectual!!!!

Advertência: Caros leitores, o presente texto não é aconselhável a menores de 15 anos, idosos e pessoas que estão envolvidas direta ou indiretamente com educação. Este texto trabalha tão somente com as grandes políticas públicas com relação ao ensino de nossos jovens e não a práticas individuais ou mesmo locais.

Não pude deixar de rir hoje, dia 29 de março de 2009, ao ver no programa humorístico-jornalístico Fantástico a notícia que falava do fim do Vestibular. Trata-se do fim de um remanescente da meritocracia que reinava no ensino até poucos anos atrás. Hoje temos a aprovação automática unida ao Bolsa-Escola, ou seja: o pivete fica uma porrada de anos com professores mal remunerados para que seus pais possam receber um minguado auxílio que não paga sequer uma cesta básica. Quando pensamos que o pivete está aprendendo algo, o que acontece? Merda! Ele está somente cumprindo horário para sair da escola sem fazer as quatro operações básicas e assinando seu nomezinho para poder votar.

Qualquer pessoa diria nesse momento: “Então o problema é do sistema, mas o que podemos fazer?” Desculpem-me, leitores, mas não sou Michael Moore. Enquanto considerarmos que os planos mirabolantes sejam a única resposta para o país do futuro, continuaremos a viver esperando o tempo em que o Brasil se tornará um país que preste...

Desabafos à parte, vamos ao que interessa: na matéria do Fantástico, vimos que o Governo Federal vai (pretende) mudar o sistema de entrada de alunos nas universidades federais. Ao invés de usarmos o tradicional Vestibular (com cada universidade mantendo a sua virtual autonomia), teremos o ENEM, ou seja lá como chamam, como principal meio de acesso às universidades. Já imaginaram o quanto o ENEM se tornará parecido com o Vestibular em pouquíssimo tempo? Não, mas parece que a Rede Globo também tem essa mesma miopia. A proposta é vista de maneira benéfica ao país pela grande emissora. Para eles, segundo o Fantástico, melhor dizendo, segundo o que o Zeca Caralho disse no meio da notícia – algo que fora escrito para ele, aposto – esse novo sistema é mais “democrático” e mais interessante. Interessante para quem, cara pálida? Para as pessoas da classe AAAA que têm como pagar os melhores cursos para se darem bem no ENEM?

Gentem, como diria a Franchona do BBB9, esse tipo de iniciativa só serve para dizer às universidades: “Quem manda nessa bagunça que vcs chamam de meritocracia é o Governo, ok?” Fazer com que o ENEM se transforme em um novo tipo de Vestibular é a mesma coisa que o Governo do Rio de Janeiro tem feito aos professores: dado laptops para que eles calem a boquinha na hora de reclamarem que não ganham nada do governo...

E tenho dito!!!!

6 de fev. de 2009

Elogio à escrotidão diária e necessária

O grande propósito deste blog é expor três ou mais opiniões diversas sobre qualquer tema. Os temas são colocados conforme a vontade de cada escritor e há uma espécie de contrato velado que afirma a obrigatoriedade de um contraponto a ser desenvolvido por outro de nós.

Revelada a espinha dorsal desse compêndio de textos, coloco-me neste momento como a voz em defesa da escrotidão.

A sociedade ocidental baseia-se em pensamentos dicotômicos: bem/mal, preto/branco, moral/amoral (ou imoral, se preferir). Essa divisão limita a capacidade humana de enxergar a área de penumbra que nos cerca o tempo todo. Segundo o texto de Ezequiel, "gentileza gera gentileza". O problema é que o brilhante profeta Gentileza era somente um mendigo que, como a maioria dos pastores de rua, ficava repetindo como um CD programado a mesma nota - gentileza é algo bom na sociedade que nos cerca. Pois bem, vejamos o que a escroião, sem algum limite moral, trouxe para a mesma sociedade ocidental que a odeia.

Alguns dos homens que podem ser chamados de escrotos por natureza são aqueles que mais movimentaram a história da humanidade. O idealizador do holocausto, por exemplo, um típico escroto por inatismo, foi o grande catalisador de eletrodomésticos utilizados a partir dos anos de 1970. Hitler era um homem mal-humorado que queria o mal para todo aquele que não fosse ariano e que não apresentasse a mesma crença que ele. Porém, foi graças a tudo o que fez que a Inglaterra teve uma idéia: para manter a comida aquecida, utilizaremos a emissão de microondas. O resto é história.

Passemos alguns anos somente... Um dos homens mais escrotos do mundo - Bill Gates. Preciso realmente comentar a importância desse homem para a recente história da humanidade. Não se assustem, mas dois personagens mais do que vistos em séries de TV são os escrotos House e seu amigo mais recatado e tão escroto quanto, Wilson.

O recente filme Batman - O Cavaleiro das Trevas é também um bom comentário sobre a escrotisse levada ao extremo. Coringa é talvez o mais interessante e mais complexo personagem criado nas histórias em quadrinhos de super-heróis.

Depois de uma pequena revisão histórico-artística da escrotidão fundamental, gostaria de tecer um comentário acerca do texto de meu amigo Ezequiel.

"Ser escroto nesse sentido é simplesmente ir além do limite da contra-medida. Você quer causar o mau. Você quer uma humilhação. Você clama um desejo primordial por sangue!" Na realidade, o primordial do humano é o que torna o humano mais humano. O pai da Psicanálise era um dos homens mais escrotos do mundo. Pensem bem: qual era o principal objetivo de um homem feio, com cara de carranca e extremamente apegado a seus charutos?! Comer o máximo de mulheres possíveis!!!! Nem vou perder meu tempo falando de Carl Jung, pois a proposta era a mesma no final das contas - tratar o outro como alguém a ser conquistado, não como alguémque é complexo pela sua capacidade de relacionar os fatos de sua vida.

O desejo por sangue ou, melhor dizendo, o desejo primordial de se colocar acima de todos a sua volta é fundamental para o sucesso dos homens. Todos os manuais de auto-ajuda estão repletos de ensinamentos sobre o tema. Ensinamentos por vezes práticos. Vou citar um exemplo: no livro Enquanto o amor não vem, um mega-sucesso do início desse século, a autora escreve algo sobre a pessoa que o deixou. O ensinamento é o seguinte: a pessoa o deixou porque não consegue aceitar a intensa superioridade que a oprime de volta a seu devido lugar - o lixo. Ou seja, escroto na última potência.

Ser escroto, por vezes, não é ser mal educado, mal humorado, ou pior, querer humilhar o outro. Ser escroto é colocar o homem em seu devido lugar, ou realmente pensamos que somos todos iguais dentro dessa pirâmide social que impõem aos escrotos o poder máximo sobre as nações?!

Agora, vamos a um exemplo visual:

Ensaio sobre a escrotidão humana

Gentileza gera gentileza. Quem nunca ouviu essa máxima? Particularmente sempre acreditei nela. Uma filosofia de vida. Quase um mantra espiritual (se eu tivesse um espírito, pode crer que seria esse o meu mantra).
Não me refiro ao campo metafísico, mas as pequenas nuances do dia a dia, como o “Bom dia. Obrigado.” que você da para o trocador do ônibus em troca de outro cumprimento ou de um sorriso. É extremamente interessante reparar que normalmente funciona! Tratar as pessoas bem é na maioria muitas vezes recompensador. Se não retribuem exatamente na mesma proporção, pelo menos fica um sentimento de “Poxa, foi o primeiro ‘Bom dia’ que eu recebi o dia todo”.
Lembro-me de uma seqüência de Patch Adams em que o personagem do Robin Willians (o “Pach” Adams, do título, dããã), faz um teste com as pessoas na rua. Ele cumprimenta desconhecidos e percebe que maioria deles responde. Achei isso interessante quando assisti ao filme. Claro que eu, como bom alienista que sou – dedicado a explorar os saberes da mente –, tive que testar essa teoria na prática. E sim, ela realmente é válida, mesmo em terras de desconfiança como as nossas. As pessoas normalmente respondem. O que me leva a crer que boa parte dos seres humanos está realmente disposto a ser gentil ou a apreciar um pouco de gentileza mesmo no meio da tumultuada vida dos grandes centros.
Escrevo isso para falar justamente dessas exceções. Nem sempre gentileza gera gentileza. Algumas pessoas precisam ser naturalmente escrotas. Todo mundo já encontrou uma dessas figuras caricatas por ai. Aqueles que parecem chupar um limão a cada manhã. Não, não confunda os “escrotos naturais” com os “mau humorados”. São espécies diferentes. Um “mau humorado” não precisa ser necessariamente um “escroto natural”. Eu mesmo me considero um “mau humorado” – ou pelo menos um “reclamão crônico” – mas acho que estou longe de ser um “escroto natural”. Não, não estou mais perto do céu por causa disso.
Mas voltando aos “escrotos naturais” (deixemos a análise os outros subtipos humanos para outras ocasiões). É incrível como algumas pessoas precisam ser continuamente escrotas com seu entorno. Não basta não responder ao “bom dia”. Não basta criticar o que está mal feito ou simplesmente não elogiar o que está bem feito. É preciso ir além. É preciso espezinhar. Arranhar. Humilhar. Para esse tipo de pessoa nada nunca está bom o suficiente e quanto está merece apenas o... mais perfeito silêncio.
Não meu caro leitor. Não adianta ser gentil com esse tipo de criatura. Não adianta ser paciente. A escrotice desses indivíduos transcende qualquer atitude apaziguadora. Normalmente nos deixa sem reação.
Observem que não estou falando de bondade ou maldade aqui. Acredito que existam bons escrotos, embora eu nunca tenha encontrado um. O fato é que a escrotice independe da simples dualidade bem/mal. Vou invocar agora o que há de mais escroto em cada um para embasar minha teoria.
Quem nunca teve a necessidade de ser escroto? Pode ser com aquele cara que é escroto também, pode ser com aquele cara que é mala ou com a ex-namorada que lhe pos um par de chifres. Às vezes você pode ser mau educado. Pode ser ignorante. Pode literalmente ignorar também. Mas quem nunca foi simplesmente escroto? Ser escroto nesse sentido é simplesmente ir além do limite da contra-medida. Você quer causar o mau. Você quer uma humilhação. Você clama um desejo primordial por sangue!
Nesses momentos você é escroto. Ninguém está imune a isso. E cuidado! Ser escroto vicia. Uma vez que você prova o sangue pode pegar gosto pela coisa. Existe uma certa sedução na desgraça alheia. Um certo prazer doentio – que faz a adrenalina subir quando vemos aqueles vídeos incríveis na TV que nada mais são, com licença da palavra, que gente se fudendo cosmicamente – em ver ou provocar a derrocada ou a humilhação de alguém. Normalmente limitamos isso o máximo possível. Ocultamos esse traço instintivo de nossa competitividade humana. Mas quando a auto-preservação está em jogo esse potencial destrutivo aflora. Reparem em seus gatos e cachorros (ou então apenas assistam mais o Animal Planet): se observarmos alguns animais sociais vemos comportamentos parecidos.
Minha conclusão desses pensamentos é que ser escroto é humano demasiado humano. Mas pessoas escrotas são um pé no saco. E gentileza gera gentileza sim! Aquela história de “amar uns aos outros como eu vos amei” é boa. Confiem nisso. Até é claro... Que vocês encontrem um “escroto natural”... Então meu caro leitor, é sua vez de mostrar os dentes.

25 de jan. de 2009

E que venha Barack Obama!

Agora está feito. Após uma longa corrida que começou ainda em 2007 na disputa das primárias contra Hillary Clinton, no início da tarde da última terça-feira dia 20 de janeiro de 2009, em Washington DC, Barack Hussen Obama, 47 anos, tomou posse como 44º presidente dos Estados Unidos da América, o primeiro negro a ocupar o cargo.

Foi uma festa sem precedentes: 2 milhões de pessoas compareceram ao Washington's Mall, quase 1 milhão a mais que o recorde anterior. O preço para assistir de perto esse momento histórico foi salgado. Os ingressos custavam US$ 25 (cerca de R$ 60) e se esgotaram ainda durante a madrugada anterior. Sejamos sinceros ao tirar o chapéu para os gringos: números impressionam sim.

Ok, você deve estar pensando “essa festa toda só por causa de uma eleição é coisa de americano”. Realmente não dá para imaginar a explanada dos ministérios coberta por brasileiros de todos os estados saudando um tal de Luiz Inácio da Silva (me recuso a escrever o homônimo dessa graciosa criatura sindical) como se fosse um “arauto da nova era”.

Em 1º janeiro de 2003, os nossos números podem não ter sido tão impressionantes, mas ouve uma comoção parecida aqui pelas terras tupiniquins. A “primeira vitória da esquerda brasileira” colocava um homem sem diploma no poder. Um homem da classe operária. Um líder sindical, que viveu de pensão a vida toda... ok, ok, vamos por alguns minutos ignorar esse último detalhe. Era a “quebra”. Deveria mudar tudo. Porque o Luiz Inácio não governaria para os ricos. Para os banqueiros. O Luiz Inácio governaria para o povo, para os pobres. É pessoal... É obvio que tiro saiu pela culatra.

Seis anos e alguns “fomes zero” depois, nós vivemos um governo de continuidade. A equipe econômica do nosso impoluto presidente se mostrou tão conservadora quanto à de seu predecessor o sociólogo, Fernando Henrique Cardoso. O Brasil está estável. O Brasil está crescendo. Mas ainda temos fome. Mas ainda não sabemos ler. Nenhum milagre aconteceu. Nenhuma nova era começou por aqui.

Mas vamos voltar a Washington DC. De quatro em quatro anos temos a sensação que os americanos estão escolhendo por nós o “presidente do mundo”. Essa postura só se reforçou nos últimos oito anos de governo Bush, quando o Estados Unidos se comportaram como a “policia do mundo”. Azar o deles. Duas guerras e muito dinheiro gasto depois Obama recebe um país no meio de uma crise econômica e já começa com o apoio de (pasmem) 80% dos americanos.

Muita expectativa se põe sobre esse negro, havaiano, formado na faculdade de direito de Harvard. Não apenas dos americanos. Barack é pop. Nunca o mundo todo torceu tanto por um resultado na eleição norte americana.

O fato é que alguma “quebra” aconteceu por lá. Algo muito mais forte do que há seis anos atrás no Brasil. Não só por Barack Obama ele ser jovem, negro e democrata. Mas suas escolhas para o “time” do governo já mostram a que ele veio. Um Premio Nobel de física para Energia. Um descendente de japoneses para Assuntos dos Veteranos. E é claro, Hillary Clinton no cargo mais importante da diplomacia americana, a secretária de estado. É o fim do reinado do presidente cowboy e sua Condoleezza Rice.

A cara de simpático de Obama me faz acreditar ingenuamente que “ele vai ajudar a construir um mundo melhor”. Será que finalmente os Estados Unidos assinam o Protocolo de Kyoto? Retiraram suas tropas do Iraque? E o Brasil? Como vai ficar nessa história? Os governos republicanos são tradicionalmente menos protecionistas e logo, mais favoráveis aos interesses do mercado brasileiro...

Quem quiser pode dar uma conferida do discurso de posse na integra em http://g1.globo.com/Sites/Especiais/Noticias/0,,MUL964157-16108,00-LEIA+A+INTEGRA+DO+DISCURSO+DE+POSSE+DE+BARACK+OBAMA.html . Vale a pena conferir. Seja como promessas, seja como boa literatura.

Penso que de uma forma ou de outra essa eleição fez bem para nós. Fez bem para o mundo. Mesmo que ele não mude nada. Mesmo que ele seja um Luiz Inácio da vida. Barack Obama trouxe para o mundo uma sensação de esperança que nós precisamos ter de tempos em tempos! Para nos dar força para seguir em frente. Para nos fazer acreditar em alguma coisa. Se ele não é a cura, é no mínimo um paliativo. Chance é foi sua palavra de ordem. Só nos resta esperar e acreditar nela.

(desculpem os erros pessoal... nervosismo de estréia e texto escrito com pressa)

21 de jan. de 2009

Barack Obama ou como ter uma surpresa antecipada…

Hoje, dia 20 de janeiro de 2009, um novo capítulo da história recente é escrito. Acho engraçado que esse tipo de frase somente ocorra quando algo que é considerado “importante”. Parece que nada mudou desde que W. Benjamin escreveu sobre a mudança de foco para uma “história dos perdedores” para que haja uma compreensão melhor dos fenômenos históricos.

A empolgação com relação ao sr. Obama me lembra a mesma empolgação que ocorreu com relação à família Kennedy no poder. Uma época de recessão, um presidente com um discurso modernoso e uma bala que acaba com o sonho… Não acho que isso ocorrerá com Obama, mas a empolgação é a mesma. É incrível como os EUA e o mundo esquecem-se do pega-pra-capar que está ocorrendo na Faixa de Gaza por conta de um negro na Casa Branca. Melhor dizendo: um afro-descendente na cadeira mais importante do Salão Oval.

George W. Bush sempre assumiu uma postura de dono do mundo. Mas qual é o mundo que é deixado para o sr. Barack? Crise mundial na economia, um possível crise do petróleo se aproximando e, ainda, uma crise de poder político em diversas partes do mundo (basta vermos a situação na China e os acordos que o nosso presidente, tão analfabeto quanto o Bush, teceu nos últimos 8 anos). A situação para os EUA está problemáticas. Não se sabe realmente se Obama vai conseguir segurar a onda, mas é importante vermos que, num momento de depressão econômica, a maioria dos votos acabam por culpabilizar um negro ao invés de um idoso, pois foi isto que a eleição americana mostrou: de um lado, um jovem negro; de outro, um idoso gagá…

Na disputa eleitoral americana até a cerimônia de posse de Obama muitos fatos importantes aconteceram, mas parece que tudo o que poderia ocorrer nubla-se frente à posse iluminada do afro-descendente…

Não poupo os trocadilhos e nunca os pouparei. Devemos lembrar que a maioria das medidas do presidente desmiolado eram para garantir a supremacia militar e política dos EUA no mundo. O balaço na cabeça significou um momento triste para os norte-americanos, mas um grande alívio para o resto do mundo.

O que Obama fará em seu governo não é lá grandes coisas. Um governo democrata, nós já aprendemos, é um governo muito ligado ao lobby internacional e às medidas “secretas” para a manutenção da importância do governo norte-americano no mundo.

Entretanto, qual é o impacto que esse governo terá nos problemas de Angola, Quênia ou mesmo no Sudão. Angola tem um dos piores índices econômicos do mundo, enfrentando, inclusive graves problemas com relação à educação formal e desenvolvimento de programas de saúde… No Quênia, a AIDS assola a população. A UNESCO já emitiu um relatório em que esse país africano terá sérios problemas de mão-de-obra graças a disseminação da AIDS. Por último, e não menos importante, o Sudão enfrenta um déficit econômico crônico e a desproporção de renda é tão grande que faz o Brasil parecer um país da Europa Ocidental…

Bem, o que Obama, com sua enorme influência, fará com relação aos países negros? Só o tempo dirá…