Hoje, dia 20 de janeiro de 2009, um novo capítulo da história recente é escrito. Acho engraçado que esse tipo de frase somente ocorra quando algo que é considerado “importante”. Parece que nada mudou desde que W. Benjamin escreveu sobre a mudança de foco para uma “história dos perdedores” para que haja uma compreensão melhor dos fenômenos históricos.
A empolgação com relação ao sr. Obama me lembra a mesma empolgação que ocorreu com relação à família Kennedy no poder. Uma época de recessão, um presidente com um discurso modernoso e uma bala que acaba com o sonho… Não acho que isso ocorrerá com Obama, mas a empolgação é a mesma. É incrível como os EUA e o mundo esquecem-se do pega-pra-capar que está ocorrendo na Faixa de Gaza por conta de um negro na Casa Branca. Melhor dizendo: um afro-descendente na cadeira mais importante do Salão Oval.
George W. Bush sempre assumiu uma postura de dono do mundo. Mas qual é o mundo que é deixado para o sr. Barack? Crise mundial na economia, um possível crise do petróleo se aproximando e, ainda, uma crise de poder político em diversas partes do mundo (basta vermos a situação na China e os acordos que o nosso presidente, tão analfabeto quanto o Bush, teceu nos últimos 8 anos). A situação para os EUA está problemáticas. Não se sabe realmente se Obama vai conseguir segurar a onda, mas é importante vermos que, num momento de depressão econômica, a maioria dos votos acabam por culpabilizar um negro ao invés de um idoso, pois foi isto que a eleição americana mostrou: de um lado, um jovem negro; de outro, um idoso gagá…
Na disputa eleitoral americana até a cerimônia de posse de Obama muitos fatos importantes aconteceram, mas parece que tudo o que poderia ocorrer nubla-se frente à posse iluminada do afro-descendente…
Não poupo os trocadilhos e nunca os pouparei. Devemos lembrar que a maioria das medidas do presidente desmiolado eram para garantir a supremacia militar e política dos EUA no mundo. O balaço na cabeça significou um momento triste para os norte-americanos, mas um grande alívio para o resto do mundo.
O que Obama fará em seu governo não é lá grandes coisas. Um governo democrata, nós já aprendemos, é um governo muito ligado ao lobby internacional e às medidas “secretas” para a manutenção da importância do governo norte-americano no mundo.
Entretanto, qual é o impacto que esse governo terá nos problemas de Angola, Quênia ou mesmo no Sudão. Angola tem um dos piores índices econômicos do mundo, enfrentando, inclusive graves problemas com relação à educação formal e desenvolvimento de programas de saúde… No Quênia, a AIDS assola a população. A UNESCO já emitiu um relatório em que esse país africano terá sérios problemas de mão-de-obra graças a disseminação da AIDS. Por último, e não menos importante, o Sudão enfrenta um déficit econômico crônico e a desproporção de renda é tão grande que faz o Brasil parecer um país da Europa Ocidental…
Bem, o que Obama, com sua enorme influência, fará com relação aos países negros? Só o tempo dirá…

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