25 de jan. de 2009

E que venha Barack Obama!

Agora está feito. Após uma longa corrida que começou ainda em 2007 na disputa das primárias contra Hillary Clinton, no início da tarde da última terça-feira dia 20 de janeiro de 2009, em Washington DC, Barack Hussen Obama, 47 anos, tomou posse como 44º presidente dos Estados Unidos da América, o primeiro negro a ocupar o cargo.

Foi uma festa sem precedentes: 2 milhões de pessoas compareceram ao Washington's Mall, quase 1 milhão a mais que o recorde anterior. O preço para assistir de perto esse momento histórico foi salgado. Os ingressos custavam US$ 25 (cerca de R$ 60) e se esgotaram ainda durante a madrugada anterior. Sejamos sinceros ao tirar o chapéu para os gringos: números impressionam sim.

Ok, você deve estar pensando “essa festa toda só por causa de uma eleição é coisa de americano”. Realmente não dá para imaginar a explanada dos ministérios coberta por brasileiros de todos os estados saudando um tal de Luiz Inácio da Silva (me recuso a escrever o homônimo dessa graciosa criatura sindical) como se fosse um “arauto da nova era”.

Em 1º janeiro de 2003, os nossos números podem não ter sido tão impressionantes, mas ouve uma comoção parecida aqui pelas terras tupiniquins. A “primeira vitória da esquerda brasileira” colocava um homem sem diploma no poder. Um homem da classe operária. Um líder sindical, que viveu de pensão a vida toda... ok, ok, vamos por alguns minutos ignorar esse último detalhe. Era a “quebra”. Deveria mudar tudo. Porque o Luiz Inácio não governaria para os ricos. Para os banqueiros. O Luiz Inácio governaria para o povo, para os pobres. É pessoal... É obvio que tiro saiu pela culatra.

Seis anos e alguns “fomes zero” depois, nós vivemos um governo de continuidade. A equipe econômica do nosso impoluto presidente se mostrou tão conservadora quanto à de seu predecessor o sociólogo, Fernando Henrique Cardoso. O Brasil está estável. O Brasil está crescendo. Mas ainda temos fome. Mas ainda não sabemos ler. Nenhum milagre aconteceu. Nenhuma nova era começou por aqui.

Mas vamos voltar a Washington DC. De quatro em quatro anos temos a sensação que os americanos estão escolhendo por nós o “presidente do mundo”. Essa postura só se reforçou nos últimos oito anos de governo Bush, quando o Estados Unidos se comportaram como a “policia do mundo”. Azar o deles. Duas guerras e muito dinheiro gasto depois Obama recebe um país no meio de uma crise econômica e já começa com o apoio de (pasmem) 80% dos americanos.

Muita expectativa se põe sobre esse negro, havaiano, formado na faculdade de direito de Harvard. Não apenas dos americanos. Barack é pop. Nunca o mundo todo torceu tanto por um resultado na eleição norte americana.

O fato é que alguma “quebra” aconteceu por lá. Algo muito mais forte do que há seis anos atrás no Brasil. Não só por Barack Obama ele ser jovem, negro e democrata. Mas suas escolhas para o “time” do governo já mostram a que ele veio. Um Premio Nobel de física para Energia. Um descendente de japoneses para Assuntos dos Veteranos. E é claro, Hillary Clinton no cargo mais importante da diplomacia americana, a secretária de estado. É o fim do reinado do presidente cowboy e sua Condoleezza Rice.

A cara de simpático de Obama me faz acreditar ingenuamente que “ele vai ajudar a construir um mundo melhor”. Será que finalmente os Estados Unidos assinam o Protocolo de Kyoto? Retiraram suas tropas do Iraque? E o Brasil? Como vai ficar nessa história? Os governos republicanos são tradicionalmente menos protecionistas e logo, mais favoráveis aos interesses do mercado brasileiro...

Quem quiser pode dar uma conferida do discurso de posse na integra em http://g1.globo.com/Sites/Especiais/Noticias/0,,MUL964157-16108,00-LEIA+A+INTEGRA+DO+DISCURSO+DE+POSSE+DE+BARACK+OBAMA.html . Vale a pena conferir. Seja como promessas, seja como boa literatura.

Penso que de uma forma ou de outra essa eleição fez bem para nós. Fez bem para o mundo. Mesmo que ele não mude nada. Mesmo que ele seja um Luiz Inácio da vida. Barack Obama trouxe para o mundo uma sensação de esperança que nós precisamos ter de tempos em tempos! Para nos dar força para seguir em frente. Para nos fazer acreditar em alguma coisa. Se ele não é a cura, é no mínimo um paliativo. Chance é foi sua palavra de ordem. Só nos resta esperar e acreditar nela.

(desculpem os erros pessoal... nervosismo de estréia e texto escrito com pressa)

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