Aqui estou eu de novo… Sei que todos vocês, legiões de leitores, não se aguentavam mais de saudades! Mas voltei! O dever me chama ao fronte novamente. Uma onda, meus senhores, uma onda submerge nossa sociedade. Pois bem, nos últimos dias um assunto bombou entre os usuários brasileiros do Twitter - para quem não sabe o que é Twitter (como eu até poucos dias atrás) vale dar uma olhada na Wikipédia e descobrir (o quê? vocês não acharam mesmo que eu ia explicar né?) –. Danilo Gentilli, o repórter inexperiente do programa CQC, foi acusado por algumas hordas de twitteiros de racismo após postar a seguinte piada:
"King Kong, um macaco que, depois que vai para a cidade e fica famoso, pega uma loira. Quem ele acha que é? Jogador de futebol?"
A polêmica gerada foi tão grande que em pouco tempo deixou de ser virtual e passou a ser assunto do ministério Público Federal de São Paulo – impolutíssimos procuradores que, sem dúvida, fazem seu trabalho tão bem a ponto de não ter nenhum outro assunto mais importante para tratar do que posts no Twitter – que até o momento divulgou estar apurando se ouve ou não conteúdo racista no comentário. As ONGs, claro, não poderiam ficar de fora dessa. Imediatamente o presidente da afrobras, declarou “Isso [o post] foi indevido, inoportuno, de mau gosto e desrespeitoso. Desrespeitou todos os negros brasileiros e também a democracia. Democracia é você agir com responsabilidade.” Até mesmo o também humorista Hélio de La Peña disse que a piada não teve graça. Seguiram-se posts e mais posts condenando o comentário de Gentilli, que chegou mesmo a se desculpar. Mas não sem antes postar um magnifico texto em seu blog.
Antes de continuar vamos ser sinceros… A piada foi boa pessoal… King Kong, jogador de futebol! Como eu não pensei nisso antes? Hélio de La Penã que me desculpe, mas para mim isso é despeito de quem não consegue fazer uma piada boa (seja sobre negro, judeu ou sobre a novela das 9) há muito tempo. Esse complexo de vira-lata, como diria Nelson Rodrigues, que parece estar impregnado em algumas sociedades negras do Brasil não é novidade. Gentilli aponta para uma coisa que eu sempre me questionei: um negro, ou melhor um afro descendente (para entrar no espirito do post), pode andar na rua com uma camisa escrito “100% Negro” que todo mundo acha um máximo essa coisa de orgulho racial, totalmente normal! Agora, se eu, resolver usar uma camisa escrita “100% Branco” ou melhor ainda, “100% Ariano” na rua é provável que eu vá parar numa delegacia se conseguir escapar das hostes enfurecidas.
Se eu grito para alguém num bar “senta ai seu preto” todo mundo me olha torto. Se eu falo que um “preto filha da puta” me assaltou, sou preconceituoso. Mas se foi branquelo tá tudo bem! Branco, burro, viado… tudo é moralmente melhor que… preto! Por quê? Será que alguém consegue me explicar porque não posso chamar o n egro de… negro? Fui criado sendo ensinado a chamar pessoas negras de escurinhas. Um tremendo racismo velado. Um preto pequeno não é pretinho. É escurinho. É “de cor”. É afro descendente. Gordinha pode, cabeludo pode, altão pode… Pretinho é frio.
Isso é o chamado “preto de alma branca”. É a sociedade tentando esbranquiçar a questão. Ao invés de aceitar que as pessoas tem cores diferentes, o que vigora de um lado é fingir que um adjetivo simples não existe. Então cria-se esse movimento de orgulho negro. “Orgulho negro”? Com assim? Me explica? Onde está o “Orgulho Humano”? Por que o Orgulho de ser brasileiro só de quatro em quatro anos? Pensando bem, não é nada orgulhoso pertencer ao uma espécie que insiste em se subdividir em raças, quando na verdade somo todos farinha do mesmo saco.
E não me venha com essa de esse papo de “raça traumatizada”. Os negros foram, muito explorados, sofreram muito, etc. etc. etc.… Ninguém quer aulas de história por aqui. Falando em história, é isso que as sociedades do “Orgulho Negro” alegam para justificar exdruchulismos sociais como cotas raciais. Dívida histórica. É politicamente correto dizer que temos uma dívida histórica com o povo negro. Queria entender isso… Será que deveríamos desembarcar e tomar Portugal em nome de nossa dívida histórica? E Portugal, deveria lançar-se em uma guerra enlouquecida conta os vizinhos espanhóis por conta dos verdadeiros saque sofridos durante a união ibérica? Claro… Os espanhóis podiam aproveitar para cobrar sua dívida da Inglaterra… Os judeus então… Ainda bem que eles são bons em cobrar dívidas!
Uma dívida histórica é naturalmente uma dívida odiosa. Uma dívida contraída contra nossa v ontade. Nenhum brasileiro vivo teve escravos. Nenhum negro vivo foi escravizado. Os ofendidos e os ofensores já não estão mais aqui. O jeito que se fez abolição aqui foi uma verdadeira piada. Não estou questionando isso. Mas não adianta repetir os mesmos erros para tentar corrigir o passado. Não adianta ser politicamente correto. Se fosse assim, todo mundo (negro, branco, amarelo, azul), pensaria duas vezes em sua dívida ATUAL, com a África antes de tomar um remédio.
Isso é o mais hipócrita nesse surto do politicamente correto que vivemos, essa questão de conveniências. Vamos voltar um pouco no
tempo ok? Há alguns anos atrás, enquanto o Estados Unidos estavam em guerra com o Iraque a rede globo exibia em seu horário das nove, Mulheres Apaixonadas. O autor – que obviamente, tinha que ser o Manuel Carlos, vulgo Manuca – prometia o que seria o primeiro beijo gay do horário nobre brasileiro. Com um casal de lésbicas claro, afinal o homossexualismo feminino tá na moda, logo é menos agressivo ao olhar. Pois é… Não teve beijo. O que teve foi um selinho, disfarçadíssimo, envergonhado! Por quê? “Porque a sociedade não estava preparada”. Estávamos preparados para ter desenhos animados interrompidos por chamadas ao vivo do Iraque com misseis caindo em cima de escolas, mas não para ver um casal se beijando decentemente! Ah, e claro… é bom lembrar que no contexto em que aconteceu o tal selinho, estavam uma professora alcoólatra, uma que pegava o aluno e apanhava do Tom Hanks em casa… Tudo isso passou batido quando o assunto foi… um simples beijo.
Nesse país de insanos as mesmas pessoas que chocam-se ao ver dois barbudos que se amam beijando-se no banco de uma praça acabaram de passar batidas por uma criança cheirando cola. Guerra não é chocante. A dor alheia não é chocante. Mas ser livre incomoda demais!
Ícones que divertiram a geração passada nunca seria criados hoje em dia. O Pica-pau, preguiçoso, oportunista, ficava dormindo enquanto os outro trabalhavam e ainda se dava bem no final com aquela sua gargalhada sem vergonha. Hoje em dia? Nunca… Sitio do pica-pau amarelo, em que um dos personagens era deficiente físico e com fumava um cachimbo! Na versão nova do sítio o saci não fuma!
A onda do politicamente correto muda nossa cultura. Não sou exatamente apegado a tradições folclóricas, mas coisas simples da tradição oral ameaçam se perder. Em algumas escolas as cantigas estão sendo reinventadas, para não dizer censuradas! Agora é
“Não atirei o pau no gato, to, to. Por que isso, so, so, bão se faz, faz, faz. O gatinho, nho, nho, é nosso amigo, go, go. Não devemos maltratar os animais, jamais!”
Só para citar uma. Tamanha imbecilidade já é suficiente para um post. Será que desenhos do pica-pau e cantigas nos fizeram seres humanos que não respeitam seus semelhantes? Será que se nossa geração tivesse crescido sendo “preparada” para ver duas pessoas do mesmo sexo se beijando não seriamos menos hipócritas como um todo? Não, não formamos um geração de psicopatas com desenhos animados divertidos. Ocultar o mundo com ele é em nome do politicamente, do moralmente correto cobra seu preço mais tarde.
Ou fazemos alguma coisa logo ou vamos terminar como os Estados Unidos: a maior indústria pornô do mundo é um dos países mais antiquados também. A superpotência da hipocrisia e dos contrates.
31 de jul. de 2009
Na crista da onda… do politicamente correto
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Um comentário:
é por isso que eu amo comição e coçadinha e family guy! meus filhos só assistirão isso! hahahah! é s´ria essa versão dá música?!
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