17 de out. de 2009

Das condições particulares de um Hospital

Hoje, dia 05.10.2009, acompanhei minha esposa a um hospital particular da rede de nosso plano de saúde, trata-se de uma rede que sempre fica em nossa memória...

Após 20 minutos esperando para fazer uma ficha na Emergência (o que deveria significar atendimento rápido), ela foi atendida. O interessante nesse caso é que ela sabia exatamente qual era o problema e queria somente fazer os exames de confirmação. Sem sair da Emergência, os exames foram pedidos. Não tão rápido quanto se esperaria, mas não podemos cobrar eficiência em um país que tem como maior significado o jeitinho, não é?

Devo dizer, entretanto, que foi notável a espera para o cadastramento na dita Emergência. Três atendentes tentavam dar conta do serviço emergencial e da entrega de exames para todo o hospital. As pessoas, sem ter qualquer organização, estavam num espaço de 3.5 metros quadrados, acabavam por atropelar a vez um dos outros.

Não recrimino essa postura, o problema era a falta de uma organização emergencial para a Emergência. Mesmo assim, o pior estava por vir: enquanto esperávamos, um homem começa a assobiar com certa insistência. Era pra mim que ele assobiava. Aquele homem, em meio a pessoas doentes e frágeis, estava carregando um carro de entulho, algo que realmente deve estar nesse tipo de ambiente. Era algo tão inusitado que permiti a passagem do referido moço com um olhar ao mesmo tempo incrédulo e surpreso.

Naquele momento, achei que estivesse do outro país. Talvez Afeganistão, talvez Etiópia... 3 metros quadrados, entulho e gente doente. Quase um coquetel molotov para todos.

Revoltado, saí pra fumar, e acabei vendo o pior: lixo hospitalar saindo por uma das entradas do hospital... Lixo Hospitalar?!? Realmente, fiquei boquiaberto, ainda mais sabendo que estava a somente três portas de onde as pessoas faziam exames de sangue. Simplesmente inconcebível... O lixo não era retirado de forma a respeitar os buracos que eram feitos para os exames, mas de qualquer jeito. Um homem saía e jogava sacos plásticos azuis para uma caçamba de caminhão que se fecharia ao final do processo.

Vamos pensar: a gravidade exerce uma aceleração de 9.8m/s² em qualquer objeto atirado para cima. O homem pegava um saco plástico amarrado e atirava-o para cima. Com a aceleração, como poderia constatar que os sacos, ao caírem na caçamba, não tinham estourado e liberado toda a sorte de vírus? Ainda mais, de frente para o caminhão havia um restaurante que estava completamente aberto ao público. Ai, ai... Nossas autoridades não fazem fiscalização, se fizessem, vocês acham que isso aconteceria em um hospital situado na “zona sul da zona norte”?

Bem, pelo menos, após algumas semanas ainda não fiquei com a pele verde, com escamas, ou mesmo me transformei num monstro de três metros... Se bem que, essa última possibilidade, seria deveras interessante...

E tenho dito!!!!

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