31 de mar. de 2010

O Grupo Arco-Íris é heterofóbico

No Rio de Janeiro, iniciou-se uma perseguição. Tão feia quanto a perseguição aos gays e lésbicas e simpatizantes, ou seja lá como são afirmados hoje, o Grupo Arco-Íris de Cidadania LGBT , principal representante dos interesses dos homossexuais no Centro-sul do Brasil está em campanha contra o vencedor do BBB10, Marcelo Dourado. Conforme notícia veiculada pela Ego (http://ego.globo.com/), o Grupo acredita que Dourado é homofóbico. Isso mesmo, “acredita”! Sem provas, evidências, ou qualquer atitude que possa contribuir à fé dos participantes. Tem gente que acredita em Deus, tem gente que acredita nos Power Rangers, mas o Grupo Arco-Íris de Cidadania LGBT acredita que o vencedor do BBB10 seja homofóbico.

O grande problema nesse tipo de atitude (dar declarações de acusação a órgãos irresponsáveis de mídia) é que acarreta um dos mais graves problemas de nosso país. A partir de uma simples declaração que, possivelmente não terá maiores consequências, os cidadãos decidem tomar um partido – se você for gay, lésbica, ou simplesmente heterofóbico (como a maioria dos emos e “alternativos”), ficará do lado do Grupo; mas, se você sabe ler, interpretar e não vê em opção sexual mais do que uma razão de gosto, você ficará intrigado com o poder da fé.

Vejamos a argumentação do Grupo: “Dourado teve atitudes machistas e homofóbicas durante todo o jogo, mesmo assim foi aprovado popularmente. É triste. O lado positivo dessa história é que isso prova que ainda temos um país muito homofóbico". Mania de perseguição? Miopia moral? Ainda não me sinto disposto a apontar problemas tão graves pelo simples fato de me faltarem dados suficientes para uma análise completa da questão.

A única coisa que fica – e isso é sério – é a irresponsabilidade do Grupo Arco-Íris de ter fé na atitude homofóbica de Dourado e, ao mesmo tempo, não conseguir apontar nenhum exemplo do que seja realmente uma atitude homofóbica. O que incomoda no rapaz é o fato de ele ser praticamente um bronco, espécie de Rocky Balboa dos trópicos que perdia as batalhas e continuava avançando, não importando os julgamentos daqueles que estavam mais próximos e, ainda por cima, contando com a sorte para ganhar no final da batalha. Alguém viu Rocky 2? Trata-se da mesma questão – um perdedor, repleto de defeitos que interage num local em que, tradicionalmente, um outro grupo seria superior, mas que a conjuntura não permite que o seja.

Sim, estou a falar dos gays. Ainda no campo do BBB, temos o exemplo do completamente anti-ético Jean, vencedor de outro BBB que foi apoiado pelos LGBT e que não foi avaliado ética e moralmente, mas, por conta da heterofobia desses grupos e do descaso dos demais, venceu e ganhou o prêmio. Parabéns, campeões!

Numa atitude inédita neste blog, devemos concordar com Pedro Bial:

 

Continuando a reportagem: “Apesar da afirmação de Dourado, que garante não ser homofóbico e, ao saber que alguns membros de sua torcida teriam feito ataques contra o site do grupo neste fim de semana, se defendeu dizendo que não tinha controle sobre a situação, o grupo não amenizou as críticas ao lutador./"É muito fácil falar que não apoia as atitudes da torcida, mas foi isso que o ajudou a ganhar o prêmio. Isso mostra a identidade que ele construiu. Quem são essas pessoas que apoiam ele? Hoje em dia, socialmente falando, é feio discriminar um gay... É óbvio que ele não ia admitir que tem algum preconceito. Fazer discurso é fácil!"

Agora, vem uma afirmação mais certeira: o Grupo Arco-Íris tem uma representante, no mínimo, imbecil ou desconhecedora do coeficiente de cidadania do mesmo grupo que representa. Preconceito, neste país, é crime, previsto em lei, com julgamento e punição. Além disso, não se pode afirmar que ele concordaria ou não com uma invasão nas praias internéticas, porque ele, tal qual Dicesar, estava numa prisão, por livre e espontânea vontade, para nos divertir. Portanto, essa inferência talvez se relacione à fé dos LGBT de que Dourado seja homofóbico. Fé porque não há provas dessa comportamento e ao mesmo tempo revela que a heterofobia desse Grupo está bem representada em suas declarações. Porém, não podemos ser preconceituosos, não é mesmo? Não sou um criminoso, apenas leio o que está escrito. Nem mais, nem menos.

A melhor parte das declarações, eu deixo para o final. Trata-se do juízo de valor da Miss Gay Brasil 2009, Ava Simões, que afirma: “Não gosto do Dourado porque ele sempre foi muito jogador na casa e eu fiquei chocada quando ele deu aqueles socos no jardim. Parecia um doido. Acredito que, por causa do jogo, ele não foi homofóbico, mas na frente dele eu não passo não. Tenho medo dele! Ele ia puxar minha peruca” (grifos meus).

Vejam o paradoxo: ao mesmo tempo que a Miss afirma que ele não foi homofóbico por conta do jogo (que seria um fator a se considerar), ela emite um julgamento para o comportamento que lhe é imcompreensível (acerca dos murros na grama, num momento de ira) o que levanta a dúvida: seria ela louca por usar uma peruca? Afinal de contas, ela é Miss Gay e não Miss Travesti o que, por definição, são sub-categorias diversas do mundo da homossexualidade.

Sinceramente, não me importo com essa discussão acerca do comportamento de Marcelo Dourado. Se ele morrer amanhã, tanto faz para o autor dessas mal traçadas linhas. Importo-me, porém, com a questão de que essa atitude de fé e julgamento dos representantes de uma categoria que busca aceitação possa gerar uma espécie de caça às bruxas com relação a todos a nossa volta. “Ele é homofóbico!” “Ele é ateu!” “Ele é isso ou aquilo!”

Nesse BBB10, todavia, quem realmente venceu foi o Boninho que pôde fechar contrato e conseguir, mais uma vez, dar um nó na cabeça dos grupos de luta contra a repressão e mostrá-los como repressores do outro.

E tenho dito!!!!

Nenhum comentário: