15 de ago. de 2010

Há responsabilidade na mídia nacional?

Apesar do longo período ausente, o retorno a este espaço faz-se em hora oportuna. Há pouco tempo, tomei ciência da proibição (censura) de piadas acerca dos elegíveis para qualquer dos cargos nesse ano. Sinceramente? Sou favorável a determinado tipo de censura que ocorreu no Brasil nos idos de 1800, mas, nesse caso, a proibição é nada menos do que um reflexo da deturpação do conceito de bullying que a própria mídia fez questão de banalizar.

Querendo proteger as crianças de traumas, nossos caridosos meios de comunicação superdimensionaram o conceito de bullying, tornando possível a um jurista impedir que a própria mídia fizesse humor, entendido por aquele como humilhação. Agora, a própria mídia televisiva se diz castrada em sua liberdade de  expressão. Bem feito!

Na Inglaterra, a rede BBC produziu um documentário de 01:27 sobre o tema. Nele, psicólogos explicavam os conceitos gerais que permitem o reconhecimento dos sintomas de uma criança que sofre desse distúrbio. Duas semanas depois, o documentário foi reprisado com o tempo de duração em pouco mais de três horas. Os psicólogos se juntaram e moveram uma ação judicial contra a rede de televisão, apelando à responsabilidade da informação veiculada pelo canal. Ganhando a ação, essa junta de psicólogos listaram diversos pontos que a primeira edição foi, segundo eles, irresponsável. Explicando melhor: em partes que os estudantes da mente humana consideraram que o corte é nocivo ao entendimento do tema, a cena era passada na íntegra para que não houvesse dúvidas a respeito do tema.

Infelizmente, no Brasil, não existe uma lei sobre responsabilidade de informação. Infelizmente, a mídia televisiva no Brasil não possui um código de ética estruturado. Infelizmente, a censura de que tanto reclamam é causada por sua própria  irresponsabilidade com relação às informações capengas que veiculam. Deram os argumentos necessários para que os elegíveis alegassem um futuro bullying? Sim e, por essse motivo, bem feito!