Apesar do longo período ausente, o retorno a este espaço faz-se em hora oportuna. Há pouco tempo, tomei ciência da proibição (censura) de piadas acerca dos elegíveis para qualquer dos cargos nesse ano. Sinceramente? Sou favorável a determinado tipo de censura que ocorreu no Brasil nos idos de 1800, mas, nesse caso, a proibição é nada menos do que um reflexo da deturpação do conceito de bullying que a própria mídia fez questão de banalizar.
Querendo proteger as crianças de traumas, nossos caridosos meios de comunicação superdimensionaram o conceito de bullying, tornando possível a um jurista impedir que a própria mídia fizesse humor, entendido por aquele como humilhação. Agora, a própria mídia televisiva se diz castrada em sua liberdade de expressão. Bem feito!
Na Inglaterra, a rede BBC produziu um documentário de 01:27 sobre o tema. Nele, psicólogos explicavam os conceitos gerais que permitem o reconhecimento dos sintomas de uma criança que sofre desse distúrbio. Duas semanas depois, o documentário foi reprisado com o tempo de duração em pouco mais de três horas. Os psicólogos se juntaram e moveram uma ação judicial contra a rede de televisão, apelando à responsabilidade da informação veiculada pelo canal. Ganhando a ação, essa junta de psicólogos listaram diversos pontos que a primeira edição foi, segundo eles, irresponsável. Explicando melhor: em partes que os estudantes da mente humana consideraram que o corte é nocivo ao entendimento do tema, a cena era passada na íntegra para que não houvesse dúvidas a respeito do tema. 
Infelizmente, no Brasil, não existe uma lei sobre responsabilidade de informação. Infelizmente, a mídia televisiva no Brasil não possui um código de ética estruturado. Infelizmente, a censura de que tanto reclamam é causada por sua própria irresponsabilidade com relação às informações capengas que veiculam. Deram os argumentos necessários para que os elegíveis alegassem um futuro bullying? Sim e, por essse motivo, bem feito!
2 comentários:
Responsabilidade e mídia é sempre um tema bastante polêmico. Aqueles que têm na mídia um meio de sobrevivência sempre clamam por "liberdade de expressão", uma minoria intelectual faz um apelo rouco à responsabilidade que poucos conseguem ouvir.
Já estudei exaustivamente sobre os meios de comunicação midiáticos tentando vislumbrar ao menos alguma sombra de ética e concluí que responsabilidade e comunicação são temas que, sobre tudo no Brasil, são tratados como díspares e inconciliáveis. Os nossos queridos comunicólogos (que comunicam muito pouco) berram aos quatro cantos toda vez que tentam impor medidas legais para acabar com a farra na mídia. Basta lembrar o 4o. Congresso Nacional de Publicidade, ocorrido em 2008, meses após a aprovação de um Projeto de Lei que visava restringir as publicidades infanto-juvenis, nos quais os publicitários (em sua maioria do alto escalão, afinal a entrada custava R$2000,00 (!)) colocavam:
“O IV Congresso denuncia e repudia: a) todas as iniciativas de censura à liberdade de expressão comercial, inclusive as bem intencionadas”.
Em outra carta, afirmavam:
“Criativa, Bonita, Responsável, Premiada, Alto astral, Inteligente, Livre, Moderna, Inspiradora... Foi assim, com liberdade para criar, que a publicidade brasileira se tornou conhecida no mundo inteiro. Agora, querem cortar as suas asas, como se ela fosse a culpada por tudo de ruim que acontece. Há no momento mais de 200 propostas no Congresso Nacional e outras em estudos na Anvisa para restringir a propaganda de bebidas, remédios, alimentos, refrigerantes, automóveis, produtos para crianças, entre outras. Tem sentido isso? A publicidade não causa obesidade, alcoolismo, acidentes domésticos ou de trânsito”.
Pois é, eles repudiam qualquer tentativa de censura, inclusive às bem-intencionadas, já que a publicidade não causa os malefícios que inúmeras pesquisas nacionais e internacionais apontam. De fato, não há como provar que ela os cause diretamente, mas convenhamos que é obvio que ela incita comportamentos indesejados (por questões éticas universais enão um moralismo individual). Mas me parece que somente se as publicidades (e os meios de comunicação como um todo) colocassem uma arma na mão de alguém e o obrigasse a atirar de tal forma que o deixasse sem alternativa eles se veriam como mandantes de um crime. Do contrário, estavam apenas apresentando um produt e suas utilidades. (Se bem que, mesmo que desses a arma e obrigassem a atirar talvez eles alegassem que o sujeito tinha escolha, poderia mirar errado)
Se observarmos bem, veremos que inúmeras reportagens que saem nos jornais e na televisão sobre eventos criminosos contém informações totalmente imparciais. Está certo que a população tem o direito de se rebelar contra certos crimes e que em muitos deles a autoria e má-fé são inegáveis logo numa primeira análise, mas um veículo de comunicação que se preze deveria agir com cautela ao veicular ccertas notícias. Vejamos, por exemplo, o caso do goleiro Bruno. Por diversas vezes me deparei com reportagens onde o advogado do goleiro e cia berrava que “Eliza era isso”, “Eliza era aquilo”, “ela está viva, vou provar para todo mundo isso”, “Bruno é 10”, etc., etc. Alguém tem dúvida que essa postura é para influenciar o júri? Alguém dúvida que algum membro do júri já não soubesse os argumentos da defesa e esteja sendo influenciado a muito mais tempo pela defesa do que pela promotoria (que, por questões ética, não pode dar detalhes do seu trabalho)? Neste caso, a quem a mídia está servindo: ao povo ou aos supostos assassinos?
Mas tudo bem, porque, em todo caso, se você se sentir violado por uma publicidade há o CONAR, ao qual você pode fazer uma denúncia que o órgão averiguará a procedência e recomendará a alteração ou suspensão da veiculação da campanha. No caso de sentir-se violado por um jornal ou noticiário televiso há o... (sei lá, mas deve existir algum... – ou não?) Mas aí cabe a pergunta: se recomendarem alteração ou suspensão após a exibição, o mal já não estaria feito?
* temas densos, comentários gigantes... :P
Realmente, fica pouco para dizer depois de tantas referências. Mesmo assim, devo comentar que o texto foi redigido após conversas com profissionais da área que admitem não ter comportamentos éticos quando necessário...
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