18 de dez. de 2010

A saúde do Ensino Médio

Nas últimas décadas o Ensino Médio, antigo segundo grau, mudou sua estratégia de comercialização do Ensino. Antes, a preocupação estava na formação dos alunos em seres humanos críticos, mas os pedagogos logo descobriram que a sociedade não é mais guiada por objetivos de ordem espiritual. A sociedade hoje quer resultados mais pragmáticos, ou que sejam pretensamente pragmáticos.

Nossa população é formada por um aglomerado de pessoas que recebem muito pouco e que sonham para seus filhos uma vida melhor, juntemos agora políticas de educação que visam a implementação de governos de 8 anos, o que teremos? Primeiramente, no governo FHC a implementação, via lobby da aprovação automática de alunos em escolas públicas e a amenização da reprovação dos alunos de escolas particulares por todo o Brasil - e, dessa forma, quem tem entre 18-25 anos e não estudou em colégios conservadores, pode procurar um psicólogo, pois sua educação formal serviu somente para a formação de um beócio. Quer uma prova do meu argumento? Basta uma simples busca no Google com os verbetes contratação, Brasil, estrangeiros e veja o que está acontecendo agora. Para quem ainda não entendeu: qualquer prática de educação que é feita no mundo, demora, no mínimo 10 anos, para surtir algum efeito, não existem efeitos de curto prazo em práticas educacionais.

No governo Lula, duas práticas se revelam, em médio prazo, extremamente perigosas para o futuro desse país. A primeira delas chama-se Universidade Para Todos. Primeiro, na atual conjuntura brasileira, a Universidade serve a dois propósitos - o primeiro é a formação de mão-de-obra especializada em várias áreas;imgres o segundo é a pesquisa lato sensu. Dessa forma, não é qualquer um que pode entrar na Universidade, o candidato precisa ter conhecimentos de língua, matemática e raciocínio lógico e basta. Com isso, o candidato estaria apto a ser um dos muitos calouros nas universidades brasileiras. Entretanto, a ordem do dia é lotar as Universidades  com todas as vagas oferecidas. Isso gera uma distorção que já é perceptível até mesmo no nível das provas de Vestibular - se olharmos a enxurrada de notas baixas que geram aprovação de alunos, podemos perceber que o Ensino Médio, após a década de 1990 - quando toma para si o slogan de percentual de “aprovados no Vestibular” como marca de mérito - percebemos que nem mesmo essa missão o Ensino Médio (público e particular) consegue realizar. Além disso, a quantidade absurda de alunos que não estão aptos ao Ensino Superior é alarmante, o que já indica (apenas 5 anos após as iniciativas de ENEM e Vestibulares por grandes áreas de conhecimento) uma queda no número de pesquisas realizadas por alunos - basta olhar os sites de fomento para que seja possível ver essa queda nos últimos 10 anos.

O mais alarmante é a progressiva política de cotas universitárias. Simplesmente não há consenso para a implementação de uma política já implementada. Enquanto a UNB tem uma avaliação psicológica para a garantia da inscrição do Cotista, outras Universidades adotam a cara-de-pau (ou seja, a auto-declaração) para o ingresso nessa política. Onde estaria, então, o mérito desses alunos em seus conhecimentos específicos? Se somarmos isso ao abrandamento lógico das correções de vestibulares para que TODAS as vagas sejam preenchidas temos a resposta da questão.

Basicamente, o Vestibular hoje não é o reflexo da formação dos jovens nesse país. O Ensino Médio não está mais preocupado com a formação de nossos jovens. A ordem do dia é passar e passar e passar até que o aluno empunhe o seu diploma de doutorado com louvor, sabendo de antemão que ninguém descobrirá o “pulissa” escrito em sua tese sobre a “Problemática da iniciação das Tropas de Elite no Rio de Janeiro e a sua contra-parte paulista - o GARRA”.

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