25 de mai. de 2010

“Hulk esmaga!” Ou a distopia da sociedade.

Afinal de contas, em que tipo de sociedade estamos? Já ouvi dizer que estamos na sociedade da informação, porém com 140 caracteres reinando como “informação”, acho que não somos muito bem informados. Já disseram que estamos na sociedade do conhecimento, mas isso é impossível quando leva-se em conta o que está acontecendo na maioria das universidades brasileiras. Já disseram que estamos vivendo a era da informação, acho que isso é ironia: era informação e agora é o quê? Titulação básica para o nada?

Bem, acho que estamos vivendo e sempre caminhamos para uma sociedade anti- socrática por excelência. Afirmo isso tendo em vista a lendária morte de Sócrates que, expulso de Atenas (a cidade da filosofia e do saber) preferiu tomar sicuta a continuar o seu trabalho em outro lugar. Ou seja, Sócrates legou para a humanidade não a ignorância, mas o desejo irascível ao não-transcendente. Notem que transcendente aqui não é uma forma de metafísica, o que seria, de fato, uma bobagem. Para transcender nessa sociedade é necessário um distúrbio sério de personalidade, não é mesmo, Fernando Pessoa?

Saramago, como afirma Ezequiel, fala que estamos caminhando para uma sociedade de grunhidos. Nada mais justo quando vemos que a opinião se torna algo que pode ser superior à pesquisa e à análise de fatos. Este blog, por exemplo, constitui-se como a exceção à máquina da blogosfera. Não somos conhecidos, não pretendemos ser conhecidos e nos propomos somente a seguir um método adaptado da filosofia socrática. Não há o interesse de mudar a humanidade, pois, se houvesse nos sentiríamos obrigados a tomar sicuta e todos os autores do blog somente apreciam cerveja.

Acho que o paradoxo na frase de Saramago está em chamar a atenção a um fato recente que está no âmago da história da humanidade. Não é preocupação nossa atestar a veracidade do incidente Sócrates, mas sim olhar como uma metáfora maior para o problema filosófico vital da humanidade. Há alguns anos, conversando com Soren eu disse a ele: “Cara, não podemos simplesmente educar as massas, pois a sociedade é preconceituosa em sua função mais elementar, a simbologia.” As relações simbólicas vigentes atualmente revelam que a importância do indivíduo estar em não se importar com o outro e cada uma de nossas modas culturais é um exemplo disso.

Em meados dos anos 1990, surgiu a moda do  jiu-jitsu nas academias brasileiras, ao mesmo tempo em que os Hooligans atingiram o maior índice de popularidade na Inglaterra. Isso por acaso significou um maior entendimento da filosofia japonesa, ou mesmo um maior saber sobre a relação torcida e jogador? Claro que não. Foi somente mais uma desculpa para que os “humanóides” (Watchmen – palavras de Ozymandias) pudessem fazer o que sabem melhor – grunhir e bater. Não há porque não adimitir isso: em 1986, Alan Moore escrevia sob o pretexto de ser uma entrevista com Adrian Veidt: “Toda essa abordagem aspirina dos problemas de nossa sociedade me incomodam muito. Não funciona.”. A única coisa de que discordo das palavras de Veidt é que isso funciona, tornando a sociedade cada vez mais atrofiada e anestesiada, estamos acabando com as diferenças fundamentais de escolha entre os seres humanos.

É certo que grande parte de nós, humanos. Escolhemos viver com nossas concepções e a defendemos com unhas e dentes para que seja possível viver feliz. “A ignorância é uma benção” seria a afirmação por trás da maioria das pessoas. Mesmo assim, elas querem estar em universidades e trabalhar para ganhar um tiquinho a mais de cascalho. Ou seja, os grunhidos não passam de pedidos de esmola em uma sociedade que não abre mão de dizer “I'm The Hulk and Hulk smash!!!!”

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